
Mindelo, 17 Jan (Inforpress) – O Auditório Onésimo Silveira, no Mindelo, recebeu na noite de sexta-feira, o lançamento da obra “A memória que se faz necessária” do combatente da liberdade da pátria Olívio Pires, que se dedicou ao “militantismo revolucionário”.
Palavras ditas pelo também combatente Pedro Pires, que presidiu ao evento perante uma sala lotada, e onde a maioria das pessoas fez questão de comprar o livro.
O também antigo Presidente da República começou por desfilar o percurso da vida política e militar de Olívio Pires, com quem, sublinhou, não divide uma relação de amizade, “mas sim de fraternidade”.
Um irmão, que se destacou, assegurou, quando a 15 de Janeiro de 1967, um grupo de jovens patriotas cabo-verdianos prestava juramento de adesão e fidelidade, perante Amílcar Cabral, à causa da luta armada, conduzida pelo Partido Africano para a Independência de Cabo Verde e Guiné-Bissau (PAIGC).
“Olívio Pires era um deles. Este facto constitui um marco histórico fundamental do processo de libertação nacional de que esse grupo foi um dos sujeitos históricos mais activos”, considerou Pedro Pires, com a ideia de que naqueles tempos assumiram um compromisso político e ético de dedicação plena à luta de libertação.
Estas e outras memórias, que, segundo a mesma fonte, estão agora compiladas em livro de alguém que deixou a sua terra natal, Santo Antão, e rumou a São Vicente e depois a Portugal para terminar os estudos e preparar um futuro para si e para os seus.
“De jovem com perspectiva favorável de futuro pessoal, transformava-se então em fugitivo ao serviço militar obrigatório no exército colonial e em jovem revolucionário em busca da integração do Movimento Armado da Libertação Nacional”, ressaltou.
Pedro Pires também assina o posfácio da obra, que foi ressaltado pelo apresentador do livro, o escritor Germano Almeida, assim como o prefácio assinado pelo também antigo combatente e diplomata Luís Fonseca, também presente no acto de lançamento.
Dois textos, que, conforme Germano Almeida, são “inultrapassáveis” e integram-se no contexto do livro como se fossem suas páginas.
“Porque dão-nos uma biografia do autor e de certa maneira, até nos ajudam a perceber determinadas opções da sua vida e das páginas que escolheu”, considerou o escritor.
Referindo-se à obra em si, que compila discursos, intervenções e entrevistas de antigo deputado e também embaixador, numa cronologia de 1971 a 2021, Germano Almeida considerou ser “claramente autobiográficas”.
Isto porque, acrescentou, são escritos a partir das experiências e ideias que o autor foi tendo e continuou fazendo da vida da sociedade cabo-verdiana.
Olívio Pires, que não pôde estar presente no evento devido a questões de saúde, foi representado pelo filho, Amílcar Pires, que ressaltou a sua humildade, o pai presente e que os ajudou a moldar as suas personalidades com o seu exemplo de ser humano.
O acto de lançamento de “A memória que se faz necessária” contou ainda com as intervenções do colega e amigo Luís Fonseca e do presidente da Associação dos Combatentes da Liberdade da Pátria, Álvaro Tavares. Ambos referiram-se ao percurso de vida de Olívio Pires e de peripécias vividas em comum.
Olívio Melício Pires nasceu em 1942, no concelho do Paul, Santo Antão, e estudou engenharia na Faculdade de Ciências do Porto, em Portugal, que interrompeu para juntar-se ao PAIGC ainda na década de 1960.
Por muito tempo foi o representante desse partido na Holanda, integrou o grupo de guerrilheiros formados em Cuba e na então União Soviética.
Foi eleito deputado na primeira Assembleia Nacional, entre 1975 e 1995.
LN/ZS
Inforpress/Fim
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