São Filipe: Produtor quer colocar o grogue ao nível dos grandes destilados internacionais

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São Filipe: Produtor quer colocar o grogue ao nível dos grandes destilados internacionais
30/04/26 - 04:34 pm

São Filipe, 30 Abr (Inforpress) – O produtor José Andrade, natural da Brava e fundador da marca JBey – Sol de Baía, quer valorizar o grogue cabo-verdiano, apostando na qualidade e no prestígio para posicioná-lo ao nível de destilados internacionais como conhaque e uísque.

Presente pelo segundo ano consecutivo na feira de negócios, realizada em São Filipe, José Andrade explicou que a aposta passa por transformar a percepção em torno do gr, tradicionalmente visto como uma bebida popular e de baixo valor comercial.

“O grogue é património nosso, mas durante muitos anos foi desvalorizado”, afirmou, defendendo que Cabo Verde tem condições técnicas e humanas para produzir destilados de elevada qualidade, comparáveis aos grandes runs das Antilhas, de Cuba ou da Jamaica.

Segundo o produtor, o diferencial da JBey – Sol de Baía está na aposta clara na qualidade em detrimento da quantidade. 

“Durante muito tempo, para compensar o preço baixo, produziu-se mais quantidade e menos qualidade. Eu vim com outra noção: fazer um bom produto, mesmo que seja para vender menos”, sublinhou.

A marca JBey nasceu de uma herança familiar ligada à produção artesanal de grogue.

Filho de produtor e sobrinho de produtores artesanais, José Andrade cresceu num ambiente onde a cana-de-açúcar e os trapiches faziam parte da rotina da comunidade. 

Emigrou ainda jovem, viveu em Dakar e em França, mas regressou às origens com o propósito de resgatar essa tradição.

O nome da marca surgiu de forma espontânea. Inicialmente conhecido como “grogue de José de Baía”, os próprios consumidores passaram a abreviar a designação para JBey, consolidando assim a identidade comercial do produto.

Hoje, garante sentir orgulho pelo reconhecimento que a bebida vem conquistando. “Há quem diga que é o melhor grogue de Cabo Verde. Eu não digo isso, mas procuro melhorar cada vez mais”, afirmou, defendendo que o país não tem menos capacidade que outros mercados internacionais que vendem garrafas de destilados por milhares de euros.

Para o produtor, a valorização do grogue passa por uma mudança de mentalidade, tanto dos produtores como dos consumidores, apostando na diferenciação, na qualidade e no posicionamento estratégico no mercado.

“O que outros países fazem, nós também podemos fazer”, concluiu, reforçando a ambição de ver o grogue cabo-verdiano alcançar reconhecimento além-fronteiras.

KA/ZS

Inforpress/Fim

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