
Ribeira Grande, 26 Jul (Inforpress) – O presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, Orlando Delgado, afirmou hoje ser um homem “realizado” por entregar a Ribeira Grande, Santo Antão e Cabo Verde, “a maior obra” da infraestruturação hidráulica do país, a Ponte de Canal.
Durante o seu discurso no acto de inauguração da requalificação da Ponte de Canal, situado em Boca de Ambas Ribeira, Ribeira Grande Santo Antão, Orlando Delgado afirmou que sentiu um misto de satisfação, mas também de “comoção”.
“A obra em si, a questão emblemática, mas a possibilidade de estarmos aqui hoje para restituir, de facto, isso, para que as pessoas possam desfrutar dessa arquitetura é, sem dúvida, uma grande alegria”, enfatizou.
Conforme o autarca a obra ainda funciona tal e qual e para o qual foi construída, ou seja, havia três funções para se construir essa obra, uma é a passagem de água, que na altura da sua execução não havia eletricidade, nem bombagem.
Segundo Orlando Delgado as pessoas tinham que passar a água de um lado para outro, já não tinham como passar a água para poder irrigar todas as propriedades a volta.
Outrossim, a mesma fonte garantiu que vão fazer tudo para potenciar a obra.
“É por isso que estes trabalhos complementares que vão ser feitos aqui são efectivamente importantes para o sucesso dessa grande infraestrutura, que passará a não ser somente para a questão da água, mas que passará agora com uma vertente forte em termos do turismo”, salientou.
O presidente da Câmara da Ribeira Grande relembrou ainda que para a reabilitação da Ponte de Canal foram lançados três concursos e todos ficaram no “deserto”.
“Não apareceu empresa, porque era uma obra de execução difícil. Lembro-me que na altura a Universidade do Porto veio cá e apresentou, de facto, uma solução, uma solução que era ancorada nos pilares, mas depois viemos cá no terreno e nós dissemos, não, com a empresa construtora, com a SGL, com os técnicos, vamos propor uma nova solução”, disse.
Por sua vez, o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, disse que a preservação e o restauro do património são algo importante para o desenvolvimento do país.
“Não por aquilo que hoje podemos devolver como interesse turístico, mas que conta histórias que precisamos contar para as gerações futuras, para entenderem que o caminho do desenvolvimento não é fácil”, salientou.
Ulisses Correia e Silva disse ainda que Santo Antão está de parabéns e que sabe o quanto as pessoas estimam a Ponte de Canal e avaliam positivamente a sua reconstrução e reabilitação.
As obras de conservação e reabilitação da Ponte Canal arrancaram em meados de Outubro de 2023, com a montagem do estaleiro e, posteriormente, foram feitas as sapatas de fundação para receber a estrutura metálica que começou a ser montada no final do mês de Fevereiro.
A reabilitação da Ponte Canal era uma antiga reivindicação das autoridades e da população santantonenses que temiam a derrocada desse “ex libris” da ilha de Santo Antão.
A Ponte Canal é uma infra-estrutura hidráulica constituída, na parte superior, por uma levada que leva a água de uma margem para a outra dessa ribeira, para a irrigação das explorações agrícolas nas imediações das localidades de Boca de Ambas-as-Ribeiras e de Boca de Coruja.
Foi edificada no ano de 1956 sob a direcção do engenheiro indiano Kenkró, em alvenaria de pedra e argamassa, erguendo-se num arco abatido de volta perfeita, que, por sua vez, é encimado com molduras também em formato de arco romano, conforme descrição feita pelos técnicos envolvidos no projecto de recuperação dessa infra-estrutura.
LFS/JMV
Inforpress/Fim
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