Santo Antão: Mulher vive há quase duas décadas em casa degradada e teme desabamento do tecto

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Santo Antão: Mulher vive há quase duas décadas em casa degradada e teme desabamento do tecto
09/09/26 - 07:45 pm

Ribeira Grande, 09 Set (Inforpress) – Carlota Canifa Gomes, de 61 anos, vive há quase duas décadas numa habitação degradada, no concelho da Ribeira Grande, onde os tectos ameaçam desabar e a entrada de água durante as chuvas compromete a sua segurança.

Carlota Gomes contou que a habitação lhe foi atribuída pela Câmara Municipal da Ribeira Grande há cerca de 19 anos, quando deixou uma antiga casa de palha onde residia com os filhos.

Segundo a mesma fonte, recebeu a nova moradia ainda inacabada, com a promessa de que os trabalhos seriam retomados após a época das chuvas, mas as intervenções nunca chegaram a ser concluídas.

Desde então, explicou, a degradação da casa agravou-se progressivamente, sobretudo durante o período das chuvas, altura em que a água entra pelo tecto e pelas paredes.

“Antes morava numa casa de palha e, apesar das condições precárias, acho que era mais feliz. Tiraram-me daquela casa para me darem esta, que acabou por se transformar num chuveiro”, lamentou.

Carlota Gomes disse que o trabalho de construção “foi mal feito” e que, ao longo dos anos, enfrentou sucessivos constrangimentos na moradia, que considera actualmente sem condições mínimas de segurança.

Os tectos apresentam, segundo relatou, sinais de forte degradação e risco de queda, enquanto a casa de banho “nunca funcionou como deveria”.

A situação obrigou-a a procurar abrigo na casa de uma filha, onde permanece por não se sentir segura na própria residência.

“Tenho passado maus bocados nesta casa. Fico feliz quando a chuva cai, mas, ao mesmo tempo, tenho medo, porque a chuva é boa quando cai na rua e não dentro da nossa casa”, desabafou.

Carlota Gomes afirmou ainda que está, há mais de dois anos, sem energia eléctrica, depois de um curto-circuito ter provocado um incêndio no poste que abastecia a habitação.

Segundo Carlota Gomes, ao procurar a Electra para restabelecer o fornecimento, foi informada de que não existiam condições de segurança para efectuar uma nova instalação eléctrica devido ao estado da casa, sobretudo à presença de água e humidade nas paredes e no tecto.

Carlota garantiu que já recorreu várias vezes à Câmara Municipal da Ribeira Grande para expor a situação, mas disse estar cansada de procurar uma solução sem resultados concretos.

Aos 61 anos, apelou agora às entidades competentes para que intervenham na habitação e lhe permitam voltar a viver com segurança e dignidade.

“Já não tenho idade para estar a passar por estes sofrimentos. Só peço a quem de direito que me ajude”, concluiu.

Contactado pela Inforpress, o presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, Armindo Luz, disse não conhecer a situação mas prometeu pedir informações ao Delegado Municipal de Santo Crucifixo para se inteirar da situação e poder agir em conformidade.

“Após isso, saberemos como posicionar, embora tenhamos sempre de proteger os nossos munícipes, mormente nestas questões habitacionais”, concluiu o edil ribeira-grandense, que se encontra fora do país, em resposta ao pedido de posicionamento enviado pela Inforpress.

LFS/HF

Inforpress/Fim

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