Santiago Norte: Campanha agrícola arranca entre chuva irregular, falta de mão de obra e pragas

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Santiago Norte: Campanha agrícola arranca entre chuva irregular, falta de mão de obra e pragas
03/08/26 - 03:20 pm

Assomada, 03 Ago (Inforpress) – Campos ainda secos, terrenos por roçar e parcelas por semear marcam o arranque lento da campanha agrícola em Santiago, onde agricultores aguardam chuvas mais regulares para iniciar a sementeira com maior confiança e reduzir os riscos de perdas.

Ao percorrer localidades dos municípios de São Salvador do Mundo, São Miguel e Santa Catarina, a Inforpress encontrou um cenário bem diferente do habitual para esta época do ano, em que, em anos anteriores, já era comum ver agricultores de enxada na mão a mondar as primeiras plantações de milho e feijão.

Este ano o cenário é outro, com campos secos, terrenos ainda por limpar e produtores que continuam a adiar a sementeira à espera de chuvas mais regulares.

A prudência resulta da incerteza quanto ao comportamento das chuvas, depois de vários anos marcados por precipitações irregulares, muitos produtores preferem esperar por uma maior continuidade das chuvas, receando perder as sementes caso a precipitação volte a interromper-se poucos dias após a sementeira.

Mas a chuva já não é o único desafio, pois, a falta de trabalhadores, o aumento do custo da mão de obra e os prejuízos causados pelos ataques de macacos e pelada estão igualmente a pesar nas decisões dos agricultores, que enfrentam uma campanha considerada por muitos como uma das mais difíceis dos últimos anos.

Em São Salvador do Mundo, o agricultor Zé Maria Pereira Tavares contou que, apesar de alguns produtores já terem iniciado a sementeira, a maioria continua à espera de melhores condições.

"Estamos à espera de uma chuva mais segura para semear. Se a chuva parar, podemos perder as sementes", afirmou.

Segundo explicou, além da irregularidade das precipitações, as pragas continuam a destruir culturas e a falta de mão de obra dificulta a realização dos trabalhos agrícolas.

"O trabalho é pouco e quem trabalha cobra cerca de 1.500 escudos por meio dia de trabalho, e 2000 para um dia inteiro", disse, acrescentando que os ataques de macacos e pelada continuam a provocar prejuízos significativos.

Em São Miguel, Fátima Veiga partilha da mesma preocupação.

 A agricultora afirmou que ainda não avançou com toda a sementeira devido à falta de confiança no comportamento das chuvas.

Perante as dificuldades, revelou ter reduzido significativamente a área cultivada este ano, explicando que, a decisão resulta da conjugação de vários fatores, entre eles a idade, a escassez de mão de obra e os prejuízos constantes provocados pelas pragas.

"Os macacos e pelada estragam as culturas. É preciso que as autoridades tomem medidas", apelou.

Em Santa Catarina, Emília Monteiro chamou a atenção para uma realidade que, na sua opinião, ameaça o futuro da agricultura de sequeiro devido à crescente dificuldade em encontrar pessoas dispostas a trabalhar no campo.

A agricultora explicou que muitos jovens já não procuram este tipo de atividade, obrigando produtores como ela a recorrer à ajuda de familiares, vizinhos, amigos e crianças para conseguir realizar os trabalhos agrícolas.

Segundo disse, a conjugação da escassez de mão de obra com a incerteza das chuvas e as pragas, faz com que muitos agricultores atrasem ou reduzam as sementeiras, receando investir num ano cuja evolução continua imprevisível.

Apesar das dificuldades, mantém a esperança de que as próximas chuvas permitam recuperar parte do tempo e sementes perdido e garantir uma campanha agrícola positiva.

As três histórias, recolhidas em diferentes municípios da região norte, revelam uma realidade comum, em que a agricultura de sequeiro enfrenta desafios que vão muito além da falta de chuva.

A irregularidade das precipitações continua a condicionar o calendário agrícola, mas soma-se hoje à escassez de mão de obra, ao envelhecimento dos agricultores, ao aumento dos custos de produção e aos prejuízos provocados pelas pragas, criando um conjunto de dificuldades que ameaça a sustentabilidade de muitas explorações familiares.

Enquanto alguns produtores começam timidamente a lançar as primeiras sementes, muitos outros continuam a olhar para o céu à espera de uma chuva mais regular que lhes devolva a confiança necessária para iniciar a campanha agrícola.

DV/AA

Inforpress/Fim

 

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