
Mindelo, 24 Mar (Inforpress) – A associação ambientalista Biosfera já contabilizou mais de mil calhandras em Santa Luzia, resultado do projecto de reintrodução da espécie iniciado em 2019 com a transferência de 30 aves do ilhéu Raso para a ilha.
Esta informação foi avançada à imprensa pela bióloga e coordenadora do acampamento da Biosfera, em Santa Luzia, Madelene Gomes.
Segundo a responsável, as calhandras do Raso foram introduzidas em Santa Luzia porque verificaram que a população desta espécie estava a desaparecer durante a seca.
Inicialmente fizeram um estudo para ver se as espécies pudessem adaptar-se ao clima de Santa Luzia e introduziram 30 calhandras que se reproduziram aumentando a sua população na ilha.
“Introduzimos 30 calhandras em 2019 e o último censo que nós fizemos no final de 2025 contabilizamos mais de mil calhandras em Santa Luzia. Isso é um ganho para a nossa biodiversidade, temos de ter maior cuidado e continuar a apostar na preservação”, afirmou.
Segundo Madelene Gomes, para o trabalho com as calhandras disponibilizam cinco técnicos e cinco voluntários. Mas observou que, se não houver voluntários, apenas os cinco técnicos têm de andar toda a ilha para contar as calhandras e fazer os estudos.
Conforme a coordenadora do acampamento da Biosfera, o trabalho com as aves começou em Fevereiro com o controle de mais de 30 ninhos, existentes na ilha, embora apenas três estejam activos e com crias.
“Temos uma equipa aqui em Santa Luzia para anilhar e marcar as aves para em caso de uma eventual captura ou se forem encontradas mortas podermos saber quando foi anilhada, onde e porquê”, explicou.
Informou ainda que, para proteger as calhandras cujos ninhos são feitos no chão, fizeram um controle de espécies invasoras, como ratos que dificultavam o desenvolvimento das aves e de espécies como répteis terrestres, lagartixas ou osgas porque destruíam os seus ovos.
Em relação ao lixo marinho que é o maior problema da ilha, Madelene Gomes disse que a Biosfera vai fazer um estudo, este ano, para ver o impacto do lixo na espécie e nos ovos.
“Vamos saber sobre o impacto do lixo, futuramente, nas tartarugas. Também vamos fazer um estudo para saber se as mudanças climáticas estão a interferir na definição do sexo das espécies que nascem nesta ilha”, avançou, explicando que “há que ter um equilíbrio porque se houver uma temperatura alta nascem tartarugas fêmeas, mas se for muito baixa nascem machos”.
Segundo a coordenadora do acampamento da Biosfera em Santa Luzia para este ano já estão abertas as inscrições de voluntários para a temporada de tartarugas, que vai de Junho a Outubro, pelo que pediu às pessoas para se inscreverem e ajudarem na protecção da espécie.
A mesma lembrou que o ano passado foi difícil a desova de tartarugas, houve poucos ninhos na praia que estava danificada por causa da tempestade Erin.
Além das tartarugas, do controle de espécies invasoras e das calhandras em Santa Luzia, a Biosfera trabalha no monitoramento de aves como guincho e rabo de junco nos ilhéus Raso e Branco.
CD/HF
Inforpress/Fim
Partilhar