Santa Catarina: Falta de acompanhamento especializado e ‘bullying’ agravam impacto da gagueira, alerta delegada de Saúde (c/áudio)

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Santa Catarina: Falta de acompanhamento especializado e ‘bullying’ agravam impacto da gagueira, alerta delegada de Saúde (c/áudio)
22/10/26 - 01:54 pm

Assomada, 22 Out (Inforpress) - A falta de acompanhamento especializado e o ‘bullying’ podem agravar as dificuldades enfrentadas pelas pessoas com gagueira, afectando a auto-estima e a integração social, alertou hoje a delegada de Saúde de Santa Catarina, Ludmila Miranda.

Por ocasião do Dia Internacional da Gagueira, assinalado anualmente a 22 de Outubro, a responsável médica, em entrevista à Inforpress, detalhou os impactos emocionais e sociais desta condição, sobretudo nas crianças.

Ludmila Miranda reconheceu que a ausência de um profissional de terapia da fala, nomeadamente um fonoaudiólogo, na Delegacia de Saúde de Santa Catarina condiciona o acompanhamento dos utentes com dificuldades na comunicação e limita o acesso a tratamentos na própria localidade.

Segundo a delegada de Saúde, embora a estrutura pública procure mitigar as carências locais, a inexistência desta valência clínica obriga, em alguns casos, as famílias a recorrerem a unidades externas, sobretudo ao Hospital Universitário Agostinho Neto, na cidade da Praia, ou a clínicas privadas, gerando encargos financeiros avultados com transportes, deslocações e consultas.

A responsável salientou que estas dificuldades podem comprometer a continuidade do acompanhamento, tendo em conta que a intervenção terapêutica pode ser prolongada e exigir consultas regulares. Os custos e as listas de espera constituem, igualmente, obstáculos para quem necessita de assistência, sobretudo para as famílias com menos recursos financeiros.

Para além das limitações no acesso aos cuidados de saúde, Ludmila Miranda chamou a atenção para o impacto emocional e social da gagueira, particularmente durante a infância, quando as dificuldades na fala podem expor as crianças a situações de discriminação e gozo no ambiente escolar.

A exposição a comentários depreciativos ou atitudes de gozo pode levar algumas crianças a retraírem-se, evitarem falar em público e isolarem-se dos colegas, agravando as dificuldades de comunicação e afectando a sua participação nas actividades escolares e sociais.

Neste sentido, defendeu o reforço das acções de sensibilização nas escolas e junto das famílias, para que a gagueira não seja motivo de troça, mas uma condição que exige compreensão, respeito e apoio. Sublinhou que é importante ajudar as crianças a reconhecerem as suas dificuldades sem vergonha e a procurarem acompanhamento adequado.

A delegada de Saúde considerou, igualmente, que a afectação de profissionais especializados nas estruturas de saúde e o reforço das equipas multidisciplinares de apoio a alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE) representariam um passo decisivo para descentralizar os serviços, aliviar o orçamento das famílias e garantir uma resposta clínica célere e de proximidade.

O Dia Internacional da Gagueira, instituído a 22 de Outubro, visa sensibilizar a opinião pública para esta perturbação da fluência verbal, combater o preconceito social e vincar a necessidade de acesso ao acompanhamento especializado e a ambientes inclusivos.

MC/CP

Inforpress/Fim

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