
Espargos, 28 Mar (Inforpress) – O Centro Paroquial de Espargos acolhe hoje a estreia do espectáculo "Luzia, a Estrangeira", uma produção da Associação Teatro Margoz que propõe uma reflexão crítica sobre a imigração e a crise de identidade no Sal.
A peça, a terceira produção "mais séria" do actor, bailarino e director artístico Emerson Henriques, é uma releitura de um clássico grego adaptado à realidade contemporânea de Cabo Verde.
Em entrevista à Inforpress, o encenador explicou que a obra utiliza a figura de Luzia, uma imigrante guineense, para abordar as tensões sociais e políticas do arquipélago.
"A Luzia é uma guineense que vem para a ilha do Sal e encontra um 'cavalheiro', trocando-o por aquilo que chamamos de 'passaporte vermelho'. O espectáculo traz aspectos sociopolíticos, a questão da imigração e, principalmente, esta coisa da identidade e da pertença", avançou.
Com uma linguagem que o autor classifica como "um bocadinho forte", o objectivo é tirar o público da zona de conforto.
"Por que não ir ao teatro e, em vez de apenas comer uma pizza depois, reflectir um bocadinho?", questionou o encenador, sublinhando que a peça procura que as pessoas se identifiquem com as situações expostas.
No palco, a trama desenrola-se com seis personagens: Luzia é acompanhada por duas figuras que representam o "coro da sua cabeça" ou a sua consciência, às quais se juntam um empresário hoteleiro, um "cavalheiro" sedutor que simboliza a masculinidade sem responsabilidade e uma figura feminina italiana que representa o desejo de ascensão social e material.
Emerson Henriques, que iniciou o seu percurso teatral em 2011 através do projecto internacional Triângulo Lusófono e consolidou a sua formação no Centro Cultural Português em São Vicente, tem focado o seu trabalho em residências artísticas e projectos internacionais desde 2021.
O espectáculo tem início marcado para às 20 horas, no Centro Paroquial de Espargos, com uma duração aproximada de 50 minutos.
NA/HF
Inforpress/Fim
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