
Assomada, 09 Set (Inforpress) – Moradores e pescadores de Ribeira da Barca reclamaram hoje da permanência de uma família alemã na Praia de Angrinha, alegando constrangimentos à actividade piscatória, enquanto a família garante estar legalmente no local e possuir autorização para as embarcações.
A situação ganhou maior visibilidade depois de um filho de Ribeira da Barca, residente nos Estados Unidos e que se encontrava de férias na localidade, ter recorrido às redes sociais para denunciar que teria sido impedido de ir à Praia da Angrinha e fazer imagens com drones no local.
Na sequência da publicação, surgiram vários questionamentos de moradores sobre a permanência da família alemã, nomeadamente, se estaria autorizada a ocupar aquele espaço, em que condições permanecem as embarcações na baía e se a actividade dos pescadores estaria a ser condicionada.
Perante as reclamações, a equipa de reportagem deslocou-se à Ribeira da Barca para ouvir os envolvidos e esclarecer a situação.
Um dos moradores e pescadores que acompanha a situação, Leni Martins, mais conhecido por Keita, a Praia de Angrinha é utilizada pelos pescadores locais e constitui uma zona importante para a actividade piscatória, pelo que defende esclarecimentos sobre as condições em que as embarcações permanecem na baía.
“Aquele é um dos locais onde temos bons cardumes de peixe”, afirmou, acrescentando que a comunidade pretende apenas obter esclarecimentos sobre a utilização do espaço e evitar conflitos entre os diferentes utilizadores da zona marítima.
Por seu lado, Nefa Mottek, que integra a família residente em Angrinha, rejeitou que estejam a impedir os pescadores de exercerem a sua actividade e explicou que a permanência das embarcações está relacionada com questões de segurança.
Segundo a mesma, a baía oferece abrigo em determinadas condições de vento e tempestade, tendo a família escolhido Angrinha depois de enfrentar problemas relacionados com roubos e segurança noutros locais.
Nefa Mottek afirmou ainda manter uma relação próxima com a comunidade de Ribeira da Barca, apesar de reconhecer a existência de pequenos conflitos com algumas pessoas.
“Pessoal de Ribeira da Barca é, para mim, como uma família”, afirmou, explicando que, quando há necessidade de movimentar as embarcações, existe comunicação com as autoridades.
A família encontra-se em Ribeira da Barca há cerca de sete anos e, segundo Nefa Mottek, a permanência na zona está também ligada a um projecto de navegação tradicional, que prevê a criação de um clube náutico com formação em navegação tradicional, manutenção de embarcações, mergulho e outras actividades relacionadas com o mar.
Sobre o episódio do drone, a estrangeira afirmou que a situação ocorreu depois de terem sido feitas imagens da família sem autorização e, segundo relatou, após pedir que a gravação fosse interrompida, o drone aproximou-se, tendo ocorrido uma reacção que culminou no lançamento de um pau contra o equipamento.
A família considera que deveria ter sido consultada antes da realização das imagens, sobretudo por estas incidirem sobre pessoas que se encontravam no local de biquíni.
Durante a deslocação da reportagem à Praia de Angrinha, estiveram presentes elementos das autoridades policiais e marítimas que explicaram em “off the record”, que a permanência das embarcações na baía está relacionada com questões de segurança e com as características da zona, considerada abrigada em determinadas condições meteorológicas.
Segundo as autoridades, as embarcações são acompanhadas e sujeitas a procedimentos de controlo, incluindo comunicação às autoridades quando se deslocam ou entram e saem do espaço marítimo.
A reportagem constatou ainda que a família dispõe de documentação que, segundo os próprios, autoriza a permanência das embarcações no local, documentos que foram apresentados à imprensa.
DV/HF
Inforpress/Fim
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