
Ribeira Grande, 18 Ago (Inforpress) – A penúria de água que se prolonga há várias semanas em diversas localidades do concelho da Ribeira Grande está a afectar populações e unidades turísticas, obrigando-as a procurar alternativas para garantir o abastecimento necessário.
Cruzinha e Chã de Igreja estão entre as localidades onde o problema se tem feito sentir com maior intensidade, levando moradores a procurar alternativas para assegurar água para as necessidades básicas do dia-a-dia.
Em Cruzinha, segundo relatos recolhidos pela Inforpress, os constrangimentos no abastecimento prolongam-se há várias semanas e estão igualmente a atingir as unidades hoteleiras existentes na localidade turística.
Albano dos Santos, proprietário de uma unidade hoteleira, disse que há mais de quatro semanas enfrenta dificuldades com a falta de água nas torneiras, numa altura em que continua a receber hóspedes.
“Quando cheguei a Cabo Verde tínhamos dois hotéis em Cruzinha e neste momento temos oito, só que actualmente estamos a atravessar um período muito complicado devido à falta de água”, afirmou.
Para o empresário, o problema não está apenas relacionado com a disponibilidade do recurso, mas sobretudo com a sua distribuição, questionando o facto de haver água destinada à agricultura, enquanto famílias e estabelecimentos enfrentam dificuldades no abastecimento.
“Temos água, mas ela é mal distribuída, ou seja, as plantas estão bem abastecidas e nós não temos água nas torneiras”, criticou.
Albano dos Santos lamentou ainda “a falta de informações concretas” por parte da empresa responsável pelo abastecimento, e afirmou que, apesar dos contactos efectuados, as respostas têm sido insuficientes quanto às causas do problema e ao prazo para a sua resolução.
Segundo explicou, chegou a disponibilizar uma bomba para ajudar a ultrapassar a situação, mas a proposta não foi aceite.
A falta de água está também a representar custos acrescidos para a unidade hoteleira, que tem recorrido à compra do recurso para conseguir manter os serviços e receber os hóspedes.
“Já comprei quase 40 toneladas de água, a mil escudos por tonelada, só neste mês. Tenho hóspedes no meu hotel, mas não tenho água”, lamentou.
Por sua vez, o presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, Armindo da Luz, reconheceu, a existência de dificuldades no abastecimento de água em vários pontos do concelho e manifestou solidariedade para com as populações afectadas, e evidenciou as situações de Cruzinha e Chã de Igreja.
“Na verdade, temos constatado que em vários pontos da ilha de Santo Antão há alguma dificuldade no abastecimento de água e, neste caso, solidarizo-me com os munícipes de Chã de Igreja e Cruzinha, que neste momento estão numa situação mais difícil”, afirmou.
O autarca criticou a actuação da Água de Santo Antão (AdSA), empresa responsável pela gestão do abastecimento, considerando que esta deve prestar esclarecimentos públicos sobre os problemas que estão a afectar o município.
Segundo avançou, enviou recentemente uma mensagem electrónica ao conselho de administração da empresa a exigir explicações públicas sobre a situação do abastecimento de água no concelho.
“As pessoas têm dito claramente que há um retrocesso desde que os serviços passaram a ser geridos pela empresa”, declarou o edil, defendendo que a AdSA deve assumir uma postura mais proactiva na prevenção e resolução das avarias.
Armindo da Luz comparou ainda a actual resposta com o período em que o serviço estava sob gestão municipal, afirmando que a autarquia mantinha equipamentos de reserva para responder mais rapidamente a eventuais avarias.
“A Câmara Municipal da Ribeira Grande comprava, por exemplo, bombas extras que ficavam no armazém para quando houvesse uma avaria. Infelizmente, o que se passa agora é que quase só quando há um problema é que a AdSA vem tentar resolvê-lo”, criticou.
Segundo o autarca, um dos problemas estará relacionado com uma avaria no furo localizado na albufeira da barragem, cuja origem, conforme as informações de que dispunha, ainda não tinha sido diagnosticada.
Face às dificuldades no abastecimento, o edil disse ter mantido contactos com a delegada da Agência Nacional de Água e Saneamento (ANAS) em Santo Antão e defendeu a aplicação das prioridades previstas para a utilização da água.
“Primeiro é o consumo humano, depois é para os animais e depois para rega, para agricultura”, sustentou, considerando que, perante a actual situação, a água disponível deve ser destinada prioritariamente ao abastecimento das populações.
O remanescente, acrescentou, deverá então ser canalizado para a agricultura.
A Câmara Municipal da Ribeira Grande, segundo o autarca, não dispõe actualmente de um autotanque que permita apoiar directamente as populações afectadas, tendo já procurado, sem sucesso, encontrar um equipamento, inclusive em São Vicente.
Quanto a Cruzinha, Armindo da Luz disse ter recebido informações de que a situação poderia começar a ser resolvida ainda hoje.
Em Chã de Igreja, admitiu que o problema é mais complexo devido à inexistência de um autotanque e assegurou que a câmara vai continuar a procurar uma viatura para alugar e garantir o abastecimento provisório à população enquanto persistirem os constrangimentos.
A Inforpress procurou obter esclarecimentos da Água de Santo Antão sobre as causas dos constrangimentos, as medidas em curso e a previsão para a normalização do abastecimento, mas as tentativas não resultaram.
LFS/AA
Inforpress/Fim
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