RDCongo: ONU insta comunidade internacional a intensificar apoio humanitário após corte dos EUA

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RDCongo: ONU insta comunidade internacional a intensificar apoio humanitário após corte dos EUA
12/02/25 - 08:13 am

Nações Unidas, 12 Fev (Inforpress) - O coordenador humanitário da ONU para a República Democrática do Congo (RDCongo), Bruno Lemarquis, apelou hoje à comunidade internacional para que intensifique a resposta humanitária ao país após os Estados Unidos suspenderem a ajuda externa.

"O último desafio que estamos a enfrentar é a decisão da administração dos Estados Unidos de suspender a ajuda externa. Esta é uma grande fonte de preocupação. Várias agências da ONU ou organizações não-governamentais (ONG) internacionais estão ativas no local e viram as suas operações, na melhor das hipóteses, severamente afetadas, se não interrompidas", disse Bruno Lemarquis num 'briefing' virtual à imprensa a partir de Kinshasa, capital da RDCongo.

De acordo com o representante da ONU, a RDCongo "foi o maior beneficiário de assistência humanitária dos Estados Unidos no mundo em 2024".

"A nossa resposta humanitária é a mais dependente do mundo da assistência dos Estados Unidos. Fomos financiados em 70% pelos Estados Unidos", especificou ainda Lemarquis, pedindo à comunidade internacional para que intensifique o seu apoio à resposta humanitária "neste período complicado".

Nos primeiros dias do seu segundo mandato, o Presidente norte-americano, Donald Trump, suspendeu toda a ajuda internacional durante 90 dias, com exceção dos programas humanitários alimentares e da ajuda militar a Israel e ao Egito.

A Agência Norte-Americana para o Desenvolvimento Internacional (USAID, em inglês) é o maior doador individual do mundo, distribuindo assistência que vai desde a saúde das mulheres em zonas de conflito até ao acesso a água limpa, tratamentos para o HIV/SIDA ou segurança energética.

Espera-se que a África subsaariana seja a região mais afetada por esta decisão.

Com a suspensão dessa ajuda externa, todas as atividades em zonas de conflito, como a RDCongo, "tiveram que parar", de acordo com o representante da ONU, que não soube identificar totalmente os programas que, entretanto, terão sido retomados.

A violência tem vindo a aumentar em todo o leste da RDCongo - país vizinho de Angola -, onde o conflito se arrasta há décadas. As Nações Unidas afirmaram que alguns dos ataques podem constituir crimes de guerra e contra a humanidade.

Mais de 120 grupos armados lutam na região, a maioria por terras e pelo controlo de minas com minerais valiosos, enquanto alguns tentam proteger as suas comunidades.

Esta conjuntura foi agravada em 26 de janeiro quando o Movimento 23 de Março (M23), apoiado pelo Ruanda, tomou Goma, a capital da província de Kivu do Norte, que fica a cerca de 350 quilómetros a sul da província de Ituri.

De acordo com Bruno Lemarquis, a situação continua extremamente volátil, com crescentes confrontos armados, deslocamento em massa e crescente insegurança em Kivu do Norte e Kivu do Sul.

"As atividades de grupos armados, em particular o M23, juntamente com a dinâmica regional, continuam a alimentar a instabilidade, exacerbando o sofrimento civil e os desafios humanitários", lamentou o coordenador humanitário.

Inforpress/Lusa

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