Projecto “Ilhas sem Plástico” quer reduzir poluição em São Vicente e Santa Luzia com investimento de mais de 1,5 milhão de euros

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Projecto “Ilhas sem Plástico” quer reduzir poluição em São Vicente e Santa Luzia com investimento de mais de 1,5 milhão de euros
27/05/26 - 04:27 pm

Mindelo, 27 Mai – O projecto “Ilhas sem Plástico”, lançado hoje no Mindelo, pretende reduzir a poluição causada pelos resíduos plásticos em São Vicente e Santa Luzia, através de uma estratégia que envolve instituições públicas, sector privado, escolas, universidades e comunidades locais.

A coordenadora do projecto, Sara Santos, explicou, no acto de lançamento, que a iniciativa vem sendo preparada “há muitos anos”, contando com parcerias nacionais e internacionais.

O projecto, “Ilhas sem Plástico” conta com um financiamento de cerca de 1.583.000 euros pelo Fundo Francês para o Meio Ambiente Mundial e pela Hans Wilsdorf Foundation e terá uma duração de três anos.

A associação ambientalista Biosfera será principal beneficiária da iniciativa, em parceria com um consórcio de entidades nacionais e internacionais responsáveis pela implementação das actividades previstas.

Segundo Sara Santos, o projecto vai actuar em toda a cadeia de consumo do plástico, desde a distribuição até ao consumo final, tendo em conta que Cabo Verde depende fortemente da importação de produtos, o que também contribui para a entrada de grandes quantidades de resíduos no País.

“O projecto vai trabalhar em conjunto na cadeia de consumo do plástico, porque esta cadeia vem desde a distribuição ao consumo. Como sabemos, Cabo Verde é um País que depende muito da importação de produtos e com essa importação vem muito lixo”, afirmou a mesma fonte, para quem o objectivo é garantir resultados sustentáveis que possam continuar a ser aplicados após o término da execução.

Sara Santos indicou que uma das componentes do projecto será a investigação científica, com a realização de estudos para identificar os tipos de plásticos encontrados nas praias e definir estratégias mais eficazes de combate à poluição.

A coordenadora destacou que a iniciativa será implementada inicialmente em São Vicente e Santa Luzia, mas os resultados obtidos deverão ser posteriormente replicados em todas as ilhas.

“Cabo Verde, sendo um país arquipélago, tem toda a influência de correntes oceânicas que trazem lixo de outras partes do mundo”, sublinhou, acrescentando que o projecto servirá como piloto para a definição de melhores políticas públicas, reforço das leis ambientais e sensibilização da população.

Do ponto de vista ambiental, Sara Santos explicou que a iniciativa pretende reduzir o impacto do plástico na biodiversidade marinha, nomeadamente o emaranhamento de espécies, a presença de microplásticos e os danos provocados pelas chamadas “redes fantasmas”.

Aquela responsável alertou igualmente para os impactos dos microplásticos na cadeia alimentar e para os riscos enfrentados pelas tartarugas marinhas em Santa Luzia, sobretudo durante o processo de nidificação.

“O microplástico já é um problema mais sensível, porque chega aos nossos pescados, prejudica os animais e vai parar ao nosso prato”, arrematou.

CD/ZS

Inforpress/Fim

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