
Cidade da Praia, 31 Ago (Inforpress) – O programa KORDA pretende reforçar a formação de jovens e crianças e aumentar a oferta de espectáculos de artes performativas em Cabo Verde, através de intercâmbios entre artistas cabo-verdianos e estrangeiros, disse hoje a organização.
A iniciativa integra uma das linhas de programação da plataforma Kontornu, dedicada à dança e às artes performativas, e surge da necessidade de promover actividades para além do Festival Kontornu, principal evento da plataforma, realizado anualmente no mês de Maio.
“Temos que combater isso e, através desse programa KORDA, que no fundo é criar um laço, uma ponte entre Cabo Verde e artistas do mundo todo”, explicou, em declarações à Inforpress, o director da plataforma Kontornu, Djam Neguin, defendendo uma programação artística mais regular ao longo do ano.
A primeira edição do programa conta com os artistas brasileiros Ricardo Aparecido e Karla Mendes e resulta de uma candidatura ao Programa Funarte de Conexões Internacionais, através do qual o Ministério da Cultura do Brasil apoia artistas brasileiros na realização de intercâmbios internacionais.
No âmbito do intercâmbio, Ricardo Aparecido, cuja prática artística cruza dança contemporânea e capoeira, trabalhou com mais de 20 crianças de um grupo de capoeira de Ponta d’Água, na cidade da Praia, num workshop gratuito.
A programação contempla ainda momentos de intercâmbio com praticantes de capoeira, assim como um workshop orientado por Karla Mendes, marcado para 03 de Setembro e dirigido sobretudo a jovens ligados a grupos de dança afro.
O ponto considerado alto da programação está agendado para 04 de Setembro, com um espectáculo que permitirá ao público contactar com outras propostas e linguagens ligadas à dança e às artes performativas.
Para os promotores, a componente formativa assume particular importância num contexto em que Cabo Verde ainda enfrenta limitações na oferta de formação especializada e de espectáculos regulares neste domínio.
“Acreditamos que cada vez que há uma possibilidade de aprender mais, aumentamos as nossas capacidades como criadores”, sustentou o director, acrescentando que proporcionar ao público o contacto com “outros espectáculos” e “outras formas de dançar” contribui igualmente para o desenvolvimento do sector.
Na perspectiva dos promotores, programas desta natureza beneficiam tanto os criadores como a própria cidade, sobretudo pela possibilidade de formação de jovens e crianças e pela diversificação da oferta cultural.
“Sabemos que não temos escola de formação, sabemos que não temos oferta de espectáculos na área das artes performativas. Então, cada vez que acontece um programa como este, a cidade sai a ganhar e a área artística sai a ganhar”, salientou Djam Neguin.
A organização pretende dar continuidade ao KORDA, embora reconheça que a realização das próximas edições dependerá da capacidade de estabelecer parcerias e de acolher artistas que consigam financiamento para as suas deslocações, uma vez que a estrutura não dispõe de financiamento permanente.
As actividades desta edição são gratuitas, opção que, segundo os promotores, está relacionada com a aposta na formação de públicos e na inclusão de jovens e crianças que nem sempre dispõem de condições financeiras para participar em iniciativas culturais.
O programa KORDA decorre entre 27 de Agosto e 09 de Setembro e conta com o apoio de entidades cabo-verdianas, brasileiras e portuguesas.
DR/AA
Inforpress/Fim
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