Cidade da Praia, 16 Out (Inforpress) – O escritor e educador cabo-verdiano nos Estados Unidos Manuel Gonçalves propôs hoje a oficialização da língua cabo-verdiana e a uniformização, já que “o principal desafio já não é a sobrevivência do crioulo, mas a sua escrita”.
Cabo-verdiano natural da ilha do Fogo e residente há várias décadas nos Estados Unidos, defendeu a ideia à Inforpress, na cidade da Praia, à margem da mesa mesa-redonda sobre “A língua cabo-verdiana na diáspora: expectativas e vivências”, promovida pelo Instituto do Património Cultural (IPC), em que ele é um dos conferencistas.
“Crioulo já não vai morrer. O problema está na escrita. Temos que colocar o crioulo como oficial”, afirmou o investigador, que ensina crioulo em universidades norte-americanas desde a década de 1990, como na Universidade Rhode Island College, Boston University, UMass Boston e Harvard University, quando ainda não existia um alfabeto oficial da língua cabo-verdiana.
O escritor, que desenvolveu o aplicativo “Speak Crioulo”, já disponível para ajudar no aprendizado do crioulo, considerou que a uniformização da escrita, com recurso ao alfabeto oficial existente, é fundamental para consolidar o reconhecimento da língua.
Na sua perspectiva, a participação de Cabo Verde no Campeonato do Mundo de Futebol de 2026, nos Estados Unidos, tem despertado o interesse internacional pelo crioulo, porque todos querem aprender a falar crioulo.
O investigador considerou igualmente que a língua cabo-verdiana deve ocupar um lugar de igualdade em relação às outras línguas, argumentando, entretanto, que a influência do português pode limitar a afirmação do crioulo.
“O crioulo é alma do povo cabo-verdiano”, declarou, acrescentando que actualmente está a traduzir livros em crioulo para inglês, numa aposta na divulgação internacional da língua.
Para Manuel da Luz Gonçalves, o crioulo tem “uma grande projecção” nos Estados Unidos e no conjunto da diáspora cabo-verdiana, inclusive por pessoas que não têm origem cabo-verdiana.
A mesa redonda é uma iniciativa enquadrada nas comemorações do Dia Nacional da Cultura e das Comunidades, celebrado a 18 de Outubro, este ano sob o lema “Cultura, memória e comunidades: construindo pontes para o futuro”.
DR/AA
Inforpress/Fim
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