
Cidade da Praia, 27 Mar (Inforpress) – O Presidente da República destacou hoje o papel das mulheres cabo-verdianas na construção do país desde a independência, reconhecendo o seu contributo na saúde reprodutiva, no empoderamento feminino e na luta contra a violência baseada no género.
“Hoje é um dia de gratidão, se repararem, essas heroínas, as cabo-verdianas, também se destacaram desde o início da nossa independência, na construção deste país e nós podemos ver os ganhos conseguidos”, disse José Maria Neves.
Através do decreto presidencial N.º 07/2025, de 25 de Março, o chefe de Estado condecorou hoje com a medalha de mérito da 1ª classe, a Organização das Mulheres de Cabo-Verde (OMCV), Associação Cabo-verdiana de Autopromoção da Mulher (MORABI), Associação Cabo-verdiana para a Promoção da Família (Verdefam) e a Associação Cabo-verdiana de Luta Contra a Violência Baseada no Género (ACLCVBG) com a medalha de mérito da 2ª Classe.
Durante a sua intervenção, Neves destacou o “papel essencial” das mulheres na construção da nação, sublinhando os avanços alcançados na saúde reprodutiva, no empoderamento feminino e no combate à violência baseada no género.
Recordou as mulheres de Pedra Barro, sua comunidade de origem, destacando a força e a resiliência dessas mães e chefes-de-família, que, segundo disse, enfrentaram inúmeras adversidades para criar os seus filhos, desafiando todas as expectativas e resistindo às dificuldades impostas pelas secas e pela escassez de recursos.
Para além da falta de água, enfrentavam também “uma secura espiritual”, marcada pelas limitações sociais e económicas da época.
Sublinhou ainda que essas mulheres não eram apenas sobreviventes, mas “verdadeiras empreendedoras e guerreiras”, sendo que enfrentavam a natureza e a subjugação com coragem, lutando diariamente pela dignidade e pelo bem-estar das suas famílias.
Apesar dos “avanços registados nos últimos 50 anos”, o chefe de Estado alertou para os desafios persistentes como a pobreza, as desigualdades, os baixos rendimentos, a paternidade irresponsável e a violência baseada no género e contra menores.
Sublinhou que o combate a estas problemáticas passa por um crescimento económico sustentado e pela criação de condições que garantam mais justiça social.
“Eu acho que é fundamental o grande ‘djunta mô’ entre todas as cabo-verdianas e todos os cabo-verdianos, de todos os partidos, ilhas, aqui e na diáspora, para fazermos face aos desafios que se colocam e é tempo de nos despertarmos para os enormes desafios que se colocam no mundo hoje”, afirmou
Em representação dos homenageados, a presidente da Organização das Mulheres de Cabo Verde (OMCV), Eloisa Gonçalves, expressou “gratidão e sentido de responsabilidade” ao receber a medalha de mérito.
Destacou que esta condecoração, atribuída pelo mais alto magistrado da nação, representa o reconhecimento do trabalho “incansável e impactante” das organizações na promoção da igualdade de género em Cabo Verde.
Sublinhou ainda que este gesto se reveste de um simbolismo especial, sobretudo no ano em que se assinalam os 50 anos da Independência Nacional.
“E um grande alento para que continuemos a desenvolver as nossas acções em prol dos direitos das mulheres, sabendo que temos o reconhecimento do mais alto magistrado da nação em como o que fazemos tem ajudado no desenvolvimento deste nosso Cabo Verde”, realçou.
Eloisa Gonçalves ressaltou ainda que o trabalho das organizações não governamentais (ONG) que promovem a igualdade de género e os direitos das mulheres tem sido um complemento essencial às políticas dos sucessivos governos e tem tido impacto na luta contra a pobreza, na promoção do empreendedorismo feminino e na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
Apesar dos “consideráveis ganhos alcançados” pelo país ao longo dos últimos 50 anos, ainda persistem desafios significativos que afectam a independência plena das mulheres.
Por fim reiterou o compromisso com a promoção da igualdade, equidade e inclusão social, a proteçcão dos direitos fundamentais em Cabo Verde e continuar a trabalhar para garantir que todas as mulheres tenham acesso a oportunidades justas e a uma vida digna, livre de discriminação e violência.
AV/AA
Inforpress/Fim
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