
Cidade da Praia, 05 Fev (Inforpress) - O presidente da Câmara de Comércio de Sotavento (CCS) considerou hoje como “boa notícia” a retoma do acordo de acesso preferencial de produtos cabo-verdianos ao mercado norte-americano por achar que ajuda a fomentar o tecido empresarial cabo-verdiano.
Marcos Rodrigues afirmou ainda que esta medida irá ajudar os empresários na exportação dos seus produtos, ao reagir em declarações à Inforpress sobre a notícia da retoma do acordo de acesso preferencial de produtos cabo-verdianos ao mercado norte-americano através da Lei de Crescimento e Oportunidades para África (AGOA).
“É uma boa notícia, porque Cabo Verde, embora não seja um grande exportador para os Estados Unidos da América, tem realmente algumas áreas de produção nacional que já vinham fazendo as suas operações de exportação com os EUA”, disse.
“Para nós, para os cabo-verdianos, é o mercado da saudade onde nós estamos a colocar os produtos, mas é uma boa notícia que registamos com apreço e esperamos que haja evolução bastante positiva nesta caminhada”, realçou o presidente da CCS.
Questionado sobre as vantagens deste acordo para Cabo Verde e seus empresários, Marcos Rodrigues admitiu serem muitas, apontando como uma delas a possibilidade da exportação dos produtos “made in Cabo Verde” para os Estados Unidos da América (EUA) com a isenção fiscal bastante atractiva e que traduz em benefícios às empresas do país.
“Como deve calcular, Cabo Verde não tem indústrias de grande porte que possam exportar em grande escala, mas pode, através desse acordo da AGOA, incentivar vários investidores até internacionais a operarem a partir de Cabo Verde, a ter indústria no país a produzir e exportar para os Estados da América”, observou.
Alterou, no entanto, que neste momento as circunstâncias globais, a restrição dos mercados e a questão da globalização, como se conhecia antes é bastante diferente, estando em retrocesso devido às alterações que a economia global está a sofrer.
Face a estas mudanças, explicou que há poucos dias, a Índia assinou um acordo com os EUA e com a Europa que vai alterar o quadro operacional das relações internacionais, uma vez que a própria Índia faz parte do agrupamento de grandes economias emergentes - Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul - que actua como foro político-diplomático para aumentar a cooperação e a influência do Sul Global, denominado BRICS.
“Isto são questões bastante importantes para Cabo Verde explorar profundamente e tentar captar e capitalizar os investidores externos para que a partir do país possam produzir produtos e no âmbito da AGOA chegar aos Estados da América”, afirmou.
Referindo-se às ilhas de Sotavento, realçou que o produto mais importado para o mercado dos EUA é o grogue que serve essencialmente à imigração cabo-verdiana, mas admitiu que o país poderia ter outros produtos a ser exportados na área de transformação de pescado.
A Lei de Crescimento e Oportunidades para África (AGOA, na sigla em inglês) foi prorrogada até 31 de Dezembro de 2026, e reactiva acordo comercial preferencial com 30 países da África subsariana, incluindo Cabo Verde, ao mercado norte-americano por mais um ano.
PC/ZS
Inforpress/Fim
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