
Cidade da Praia, 30 Out (Inforpress) – O candidato à Presidência da República Gilson Alves prometeu hoje rasgar o acordo de pesca com a União Europeia, caso seja eleito, por considerar que os benefícios financeiros recebidos pelo país não compensam a exploração dos recursos marinhos nacionais.
A posição foi manifestada pelo candidato ao Palácio do Platô durante uma visita às localidades piscatórias de Gouveia e Porto Mosquito, no município de Ribeira Grande de Santiago, onde contactou pescadores e defendeu que o acordo prejudica a actividade piscatória nacional.
Gilson Alves afirmou que os pescadores se queixam da diminuição do pescado e da presença de embarcações estrangeiras que, segundo relatos que disse ter recolhido no terreno, utilizam redes de arrasto para capturar grandes quantidades de peixe nas águas cabo-verdianas.
Na sua perspectiva, a continuidade do acordo poderá comprometer o futuro da pesca artesanal e obrigar muitos pescadores a abandonar a actividade por falta de condições para garantir o seu sustento.
O candidato defendeu, por isso, que o país deve recuperar o controlo dos seus recursos marinhos, tendo anunciado a intenção de promover uma iniciativa simbólica de uma grande fogueira em todas as localidades piscatórias do país para queima do acordo, como forma de assinalar o fim do que classificou como um “prejuízo para os pescadores e para a cultura marítima cabo-verdiana”.
Questionado sobre as competências presidenciais relativamente a um acordo negociado e assinado pelo Governo, Gilson Alves respondeu que o chefe de Estado pode exercer influência política e promover entendimentos com o executivo para concretizar essa decisão.
Nesse sentido, admitiu trabalhar em articulação com o Governo liderado por Francisco Carvalho, considerando que ambos poderiam concertar posições para avançar com medidas que classificou como nacionalistas.
O candidato apontou ainda como contrapartida anual do acordo os 750 mil euros recebidos por Cabo Verde, montante que considerou insuficiente face à riqueza dos recursos marinhos disponibilizados à exploração, pois, segundo ele, este é o valor de uma moradia a beira mar em Portugal.
Concorrem ao cargo de Presidente da República, para além de José Maria Neves, que busca a renovação do mandato, Antero Tavares, Casimiro de Pina, Gilson Alves, Joana Rosa e Loisito de Sousa.
Os seis candidatos disputam a preferência dos eleitores nas eleições marcadas para 15 de Novembro, um momento de exercício da democracia e de escolha do chefe de Estado para os próximos cinco anos.
WM/ZS
Inforpress/Fim
Partilhar