
Cidade da Praia, 11 Jun (Inforpress) – Moradores de vários bairros da cidade da Praia denunciaram hoje uma situação “crítica” no abastecimento de água, marcada por longos períodos de interrupção na rede pública e pela necessidade de recorrer a carros de abastecimento.
Estas reclamações foram recolhidas pela Inforpress durante uma ronda realizada em diferentes bairros da capital, com o objectivo de apurar a situação do abastecimento de água e os principais constrangimentos enfrentados pela população.
Em Safende, a situação é descrita como “crítica” pela proprietária de um estabelecimento comercial, Ângela Moreira, que afirma que o abastecimento de água é irregular e marcado por longos períodos sem fornecimento.
Segundo a moradora, quando a água chega à rede, as famílias “são obrigadas a aproveitar ao máximo para armazenar o recurso”, uma vez que podem passar de três a quatro semanas sem novo abastecimento.
A residente acrescenta ainda que, desde Maio, a situação tem-se agravado e que já recorreu ao carro de água em várias ocasiões para suprir as necessidades básicas.
Na ocasião, Fátima Carvalho que reside em Achada São Filipe, também considerou a situação “crítica”, referindo que, apesar do pagamento regular das facturas, o abastecimento é praticamente inexistente em alguns períodos.
“A situação aqui está muito crítica, pagamos a factura, mas ficamos várias semanas sem água. Desde que voltei de viagem, no dia 20 de Maio, a água só veio uma vez e não foi suficiente”, disse.
Já na zona de Calabaceira, Luísa Gomes relata dificuldades semelhantes, sublinhando a escassez e a fraca qualidade da água quando chega à rede.
A moradora explica que o abastecimento é irregular, podendo demorar de duas a três semanas para ser restabelecido e, quando ocorre, chega em pouca quantidade.
Acrescenta ainda que, por vezes, a água apresenta condições impróprias para consumo, o que obriga a família a recorrer à compra de água, com impacto significativo no orçamento doméstico, sobretudo, numa casa com oito pessoas.
“Às vezes vem suja e não dá para beber. Somos oito em casa e não conseguimos armazenar o suficiente”, afirmou.
Amaro Moreira, morador da zona de Calabaceira, aponta dificuldades no acesso regular à água, destacando que a família tem recorrido frequentemente a soluções alternativas.
O morador refere que a sua família, composta por quatro pessoas, está, há cerca de duas semanas, sem abastecimento de água da rede pública, o que os obrigou a recorrer ao carro de água como única solução disponível.
Acrescenta ainda que já chegou a pagar 1.200 escudos por uma tonelada de água para suprir as necessidades domésticas.
Perante a situação, a empresa Águas de Santiago (AdS) esclareceu que os constrangimentos no abastecimento de água na Praia resultam de limitações técnicas e operacionais na produção de água dessalinizada pela ELECTRA, entidade responsável pelo fornecimento à distribuidora.
CG/HF
Inforpress/Fim
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