Praia: Comerciantes afirmam que escassez de moedas persiste apesar do reforço anunciado pelo BCV

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Praia: Comerciantes afirmam que escassez de moedas persiste apesar do reforço anunciado pelo BCV
06/10/25 - 12:42 pm

Cidade da Praia, 06 Out (Inforpress) – Comerciantes na cidade da Praia afirmaram hoje que ainda não sentiram os efeitos do reforço de mais de um milhão de moedas anunciado pelo Banco de Cabo Verde, apontando que a escassez continua a afectar as transações diárias.

Numa ronda efectuada esta manhã pela Inforpress em diversos espaços comerciais, atendentes e proprietários relataram problemas na gestão do troco, o que tem forçado mudanças nos hábitos de pagamento e exigido criatividade para evitar a perda de vendas.

Maria Fernandes, atendente do restaurante “Sabor Acelerado”, em Achada Santo António, explicou que a falta de troco tem levado muitos clientes a optarem pelo pagamento com cartão bancário.

"Não temos tido troco. Quando as pessoas vêm ao estabelecimento, muitas vezes pagam com o cartão do banco. Há também quem espere para receber o troco depois. Ainda não sentimos as moedas que o banco disse que já colocou em circulação", sublinhou, apelando a uma maior circulação do numerário.

Na mesma linha, Vania Robalo, do Bar Titina, corroborou que a escassez de moedas tem criado constrangimentos e desconforto entre os clientes.

"A falta de troco tem dificultado muito o negócio. Quando o troco é num valor que não temos disponível, pedimos ao cliente para regressar mais tarde", avançou, destacando que, face à situação, os clientes têm preferido usar o sistema Vinti4 (multibanco) a dinheiro.

Para Isa Mett, do restaurante Eurilando, o problema não é recente e, apesar da comunicação do banco central sobre o reforço, a falta de moedas continua generalizada.

“Já tenho um ano a passar crise de moedas, não está normal. Fico sempre a dever os clientes e temos gerido os trocos. Moeda nunca é muita”, lamentou, manifestando-se satisfeita quando soube que o banco reforçou as moedas em circulação, embora garantindo ainda não sentir.

A comerciante defendeu ainda uma fiscalização mais dura sobre o destino das moedas colocadas no mercado, alertando que a carência delas tem causado problemas para o comércio e até perdas de clientes.

“São nove ilhas para abastecer, e não estamos a falar apenas de moedas em si. Deve haver uma maior fiscalização para ver para onde as moedas estão a circular e porque temos notas mais do que moedas”, concluiu.

O Banco de Cabo Verde anunciou, na semana passada, o reforço da circulação monetária com a injecção de 1,4 milhão de moedas no mercado entre Julho e Setembro deste ano, como resposta à escassez registada no país.

O montante corresponde a 60 por cento (%) da quantidade anual disponibilizada pelo BCV e abrange moedas das denominações de um, cinco e dez escudos.

A instituição prevê ainda, até ao final deste mês, introduzir moedas de 50 escudos, e até finais de Novembro, as de 20 e 100 escudos, no intuito de garantir maior disponibilidade de troco em todo o território nacional.

LT/CP

Inforpress/Fim

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