
Cidade da Praia, 01 Out (Inforpress) - Armadores e peixeiras do Cais de Pesca da Praia manifestaram-se hoje preocupados com o impacto do “aumento exorbitante” dos preços dos combustíveis no país e apelaram ao Governo para subsidiar as despesas como forma de apoiar o sector.
Em declarações à Inforpress, a armadora e vice-presidente da Associação dos Armadores do Cais de Pesca da Praia, Maria Semedo, conhecida por Tufuca, que possui quatro embarcações, considerou que o preço do combustível marítimo “está “muito alto”, tendo em conta as despesas suportadas diariamente pelos profissionais da pesca.
Segundo a armadora, quando há uma grande quantidade de pescado, os preços acabam por baixar, uma vez que os operadores não dispõem de condições suficientes para armazenar o produto.
Maria Semedo revelou que as quatro embarcações que possui consomem mais de dez toneladas de combustível, situação que, segundo afirmou, tem aumentado significativamente os custos de exploração e agravado as dificuldades dos armadores.
Por seu lado, o armador Oceano dos Santos considerou “muito exagerado” o actual preço dos combustíveis, afirmando que vários operadores estão com dificuldades para sair ao mar devido aos custos.
“Muitos barcos que estão no cais parados devido à falta de combustível, ou seja, devido ao preço do combustível”, enfatizou, defendendo a necessidade de medidas de apoio ao sector.
O armador apelou ao Governo para que proceda a uma revisão da situação, reconhecendo que a subida dos preços dos combustíveis está relacionada, entre outros factores, com o contexto internacional e os conflitos armados.
“Mesmo assim, temos um Governo que tem que olhar para este povo”, apelou.
Por sua vez, a peixeira Paula Correia afirmou que o aumento dos combustíveis tem impacto em praticamente todos os sectores de actividade, uma vez que muitos dependem directamente do transporte e da energia.
No caso das peixeiras, explicou, o aumento dos combustíveis tem-se reflectido sobretudo nos custos de transporte entre o Cais de Pesca e as suas residências e o pescado.
“Nem sempre há peixe para vender para ganharmos com isso, porque há dias sim e dias não”, explicou, referindo ainda os custos adicionais com a aquisição de gelo para a conservação do pescado.
Paula Correia apelou igualmente à intervenção do Governo, considerando que o preço dos combustíveis atingiu níveis “muito exagerados” para os profissionais do sector.
Segundo informou a Agência Reguladora Multissetorial da Economia (ARME), a gasolina passa a ser comercializada a 197,20 escudos por litro, o gasóleo normal a 190,30 escudos, o gasóleo para electricidade a 175,80 escudos, o gasóleo marinha a 153,30 escudos e o petróleo a 216,90 escudos por litro.
DG/AA
Inforpress/Fim
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