Portugal: Terceira Marcha Cabral leva pensamento de Amílcar Cabral às ruas de Lisboa

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Portugal: Terceira Marcha Cabral leva pensamento de Amílcar Cabral às ruas de Lisboa
07/09/26 - 08:01 pm

Lisboa, 07 Set (Inforpress) – A terceira “Marcha Cabral em Portugal” realiza-se no sábado, 12, em Lisboa, para reflectir sobre a actualidade do pensamento de Amílcar Cabral perante a crise ecológica, a justiça reparatória, o racismo e o colonialismo.

Subordinada ao lema “Em defesa da Terra i pa Vida: Reconhecer, Reparar, Descolonizar”, a iniciativa é promovida por vários movimentos e organizações negras, bairros, associações, colectivos e outras forças sociais comprometidas com as lutas anticolonial e anticapitalista.

A marcha terá início às 14:30 no Marquês de Pombal e percorrerá a Avenida da Liberdade até ao Largo de São Domingos (Rossio), onde decorrerá um momento político e cultural, com a apresentação pública da III Declaração Panafricanista de Lisboa, seguida de actuações de grupos de batuque e artistas convidados.

A iniciativa realiza-se no dia em que Amílcar completaria 102 anos se estivesse vivo.

Em declarações à Inforpress, Apolo Carvalho, da Konferénsia Panafrikanu di Lisboa, afirmou que Levar Amílcar Cabral para as ruas de Lisboa constitui uma forma de “voltar às fontes” e de retirar o seu pensamento dos espaços exclusivamente académicos, colocando-o novamente no “txon (chão, em português) da acção política”.

“Cabral é do povo e é nas ruas, onde de certa forma ele já está, que o seu pensamento ganha sentido e potência. E hoje é cada vez mais importante que o pensamento de grandes referências africanas como Cabral volte a ser estudado lá onde a luta acontece, porque continua a ser pertinente para nos ajudar a lidar com os problemas dos nossos dias”, afirmou.

O activista social recordou que Cabral era agrónomo e desenvolveu trabalho científico sobre a terra, os solos, a erosão, as culturas e as condições concretas de vida das populações, nomeadamente na Guiné-Bissau, Angola e junto de trabalhadores rurais no Alentejo.

“Portanto, a terra para Cabral era fundamento da própria luta. E isso interessa-nos muito hoje”, sublinhou, estabelecendo uma relação entre essa dimensão do pensamento de Cabral e a actual crise ecológica e climática.

Apesar dessa relação, esclareceu que a organização não pretende “transformar retroactivamente Cabral num ecologista do século XXI”, uma vez que o líder africano não escreveu sobre alterações climáticas nos termos em que actualmente são discutidas.

Para Apolo Carvalho, a actualidade do pensamento de Cabral está também na sua preocupação com a “totalidade da libertação”, que, no contexto actual, não pode ser dissociada das condições que tornam possível a vida.

Daí que, segundo ele, esta edição parte ainda da convicção de que a luta contra o racismo, o colonialismo e todas as formas de opressão não pode ser separada da luta pela Terra e pela Vida, por integrarem o mesmo projecto de libertação total.

Acrescentou que a marcha coloca em destaque a justiça reparatória e critica a abstenção de Portugal na votação da Assembleia-Geral das Nações Unidas sobre o reconhecimento da escravatura e do tráfico transatlântico de africanos escravizados como crimes contra a humanidade.

Apolo Carvalho apelou à participação de imigrantes e jovens africanos residentes em Portugal, defendendo que a marcha será também uma forma de homenagear vítimas de violência e discriminação, como Odair Moniz e Giovani Rodrigues, e lembrar que, 50 anos depois do 25 de Abril, “há ainda muita justiça por fazer”.

A terceira “Marcha Cabral em Portugal” foi antecedida da 16.ª Konferénsia Panafrikanu di Lisboa, que contou pela primeira vez, com uma aula magna, proferida pelo sociólogo, educador e panafricanista Alexssandro Robalo, subordinada ao tema “A educação que queremos para a África que esperançamos: Un analizi kritiku desdi txon di Kabuverdi”.

FM/HF

Inforpress/Fim

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