
Lisboa, 26 Jul (Inforpress) – Centenas de imigrantes cabo-verdianos, sobretudo santa-cruzenses, participaram hoje, em Carnaxide (Oeiras), na festa de São Tiago Maior, tradição que há 23 anos mantém viva a fé, a cultura e os costumes da comunidade em Portugal.
Em declarações aos jornalistas cabo-verdianos, o presidente da Associação dos Amigos de Santa Cruz (ADADSC), Joaquim Tavares, explicou que a iniciativa pretende preservar, em Portugal, uma das principais manifestações religiosas e culturais do município de Santa Cruz, na ilha de Santiago (Cabo Verde).
Segundo o dirigente associativo, as festividades têm registado um crescimento contínuo ao longo dos anos, atraindo cabo-verdianos provenientes de vários pontos de Portugal, de outros países europeus e dos Estados Unidos, graças ao envolvimento da comunidade de Alto dos Barronhos, em Carnaxide, ao apoio da Câmara Municipal de Oeiras e da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição.
A 23.ª edição das “Festividades de Nhu Santiago” arrancou no sábado com um programa cultural que incluiu actuações de grupos de batuque, danças e músicas tradicionais cabo-verdianas.
O ponto alto das festividades aconteceu hoje com a celebração da missa solene, antecedida da tradicional procissão em honra de São Tiago Maior, padroeiro daquele município cabo-verdiano.
Após a cerimónia religiosa, realizada no Largo Idálio de Oliveira, os moradores, os participantes e os juízes da festa reuniram-se num almoço de confraternização, onde foram servidos vários pratos tradicionais cabo-verdianos, com destaque para a catchupa (aportuguesada para “cachupa”), feijão-pedra, xerém e massa de milho com carne de cabra, além de arroz à valenciana.
As actividades prosseguiram durante a tarde com música, danças tradicionais e animação cultural, proporcionando um momento de encontro entre diferentes gerações da comunidade cabo-verdiana residente em Portugal.
Joaquim Tavares destacou que a iniciativa representa também uma forma de integração e de transmissão das tradições cabo-verdianas aos mais jovens, muitos dos quais nasceram ou cresceram em Portugal.
"Estou à frente desta associação há mais de 20 anos e preparo a minha saída. Este ano desafiámos os jovens do bairro a envolverem-se na organização para garantir a continuidade desta tradição e a resposta foi muito positiva, assumindo a responsabilidades pelas actividades culturais”, afirmou.
O responsável destacou ainda que a associação desenvolve, ao longo do ano, um conjunto de actividades sociais, culturais e desportivas, assinalando o Dia Internacional da Mulher, o Dia da Mulher Cabo-verdiana, o Dia Internacional das Crianças e o Dia da Independência Nacional de Cabo Verde.
Acrescentou que, em parceria com a Câmara Municipal de Oeiras, foi criada uma sala de estudo destinada a apoiar crianças e jovens com dificuldades no ensino-aprendizagem, cuja entrada em funcionamento está prevista para o ano lectivo 2026/27.
Segundo Joaquim Tavares, o plano anual de actividades culmina, habitualmente, com um lanche destinado às crianças e um jantar de convívio para os idosos da comunidade na época natalícia.
Entre os mais de 20 juízes da festa encontra-se Laurinda Monteiro, natural de Fonte Lima, no município de Santa Catarina, que disse ter aceitado o convite por fé e devoção ao santo, a quem atribuiu várias graças alcançadas ao longo da vida.
FM/HF
Inforpress/Fim
Partilhar