
Tabuk, Arábia Saudita, 30 Set (Inforpress) – O comandante e o copiloto de um avião da Flydubai com destino a Telavive, que aterrou de emergência na Arábia Saudita, ficaram feridos, segundo o aeroporto, enquanto a imprensa israelita reporta uma discussão violenta entre os dois.
O aeroporto de Tabuk (noroeste) “recebeu, às 08:44 locais (04:44 em Cabo Verde), um pedido de socorro do voo FZ1073, a solicitar uma aterragem de emergência”, informou na rede social X a Cluster2, empresa que opera o aeroporto.
Segundo a Cluster2, o aparelho aterrou sem incidentes” uma hora depois. Feridos, os dois pilotos foram levados ao hospital para receber os cuidados necessários.
“O voo FZ 1073, que ligava o Aeroporto Internacional do Dubai ao Aeroporto Internacional Ben Gurion, em 30 de Setembro, registou um incidente durante a viagem.
O aparelho aterrou em segurança no aeroporto de Tabuk e todos os passageiros estão a salvo”, indicou um porta-voz da companhia aérea de baixo custo dos Emirados Árabes Unidos, num comunicado.
Vários meios de comunicação social israelitas noticiaram uma altercação entre o piloto e o copiloto do avião, durante a qual foi ativado o sinal de emergência da aeronave.
Meios de comunicação social israelitas, citando fontes anónimas, noticiaram que passageiros do voo intervieram para separar os pilotos durante a altercação.
Foi divulgada uma fotografia que mostra um dos passageiros com a t-shirt coberta de sangue.
O canal de televisão israelita 12 afirmou que as autoridades estão a investigar uma eventual tentativa de suicídio de um dos pilotos, que terá tentado provocar a queda do avião, tendo sido impedido pelo outro piloto.
Não foi possível verificar de imediato estas informações divulgadas pela imprensa. Contactadas pela agência noticiosa France-Presse (AFP), as Forças Armadas israelitas indicaram estar a fazer averiguações.
Cerca de duas horas e meia após a partida de Dubai, o avião desceu abruptamente de 33.000 pés (10.058 metros) de altitude para 17.000 pés (5.180 metros) no espaço de um minuto, antes de fazer um círculo errático perto da fronteira com a Jordânia e, por fim, aterrar em Tabuk cerca de uma hora depois, de acordo com o FlightRadar24.
“A tripulação foi interrogada no âmbito da investigação”, indicou um responsável regional citado pela agência noticiosa norte-americana France-Presse (AFP), que adiantou desconhecer se algum deles ficou detido.
Também citado pela AP, um outro responsável israelita afirmou que Telavive acredita que o incidente pode ter sido uma tentativa de ataque contra Israel, mas a investigação ainda está em curso.
Uma terceira autoridade, também segundo a AP, confirmou que Israel tinha mobilizado aviões de combate, temendo um sequestro de um avião que transportava dezenas de cidadãos israelitas.
As três autoridades falaram sob condição de anonimato, uma vez que o incidente ainda se encontra sob investigação.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, alertou nos últimos dias para ameaças de segurança não especificadas e cada vez mais graves à medida que se aproxima a data das eleições legislativas de outubro no país.
O gabinete de Netanyahu afirmou que a situação estava sob controlo e que Israel estava a trabalhar para trazer os passageiros de volta a casa.
Aterragens de emergência por motivos pessoais são raras, mas não inéditas. Em 2022, dois pilotos da Air France foram suspensos após se terem envolvido numa luta no ‘cockpit’ durante um voo entre Genebra e Paris, embora o avião não tenha tido de ser desviado e tenha aterrado conforme previsto.
Os passageiros relataram por telefone ao canal israelita Ch 12 que ouviram gritos vindos dos que estavam sentados nas fileiras da frente do avião, que tinham ouvido a discussão entre os pilotos, e que o avião fez uma descida acentuada antes de aterrar na Arábia Saudita.
Israel não regista casos de sequestro de aeronaves há décadas, mas mantém um dos sistemas de segurança aeroportuária mais rigorosos do mundo.
Os voos comerciais têm operado entre Israel e os Emirados Árabes Unidos desde que os países normalizaram as suas relações em 2020.
Inforpress/Lusa
Fim
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