Padre Firmino Cachada defende maior projecção do nome e da obra de Ano Nobo

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Padre Firmino Cachada defende maior projecção do nome e da obra de Ano Nobo
11/08/26 - 12:15 pm

Cidade da Praia, 11 Ago (Inforpress) – O padre Firmino Cachada defendeu hoje, na Praia, uma maior projecção do nome e da obra do músico cabo-verdiano Ano Nobo, considerando uma questão de justiça reconhecer o seu papel como referência para vários músicos.

Em declarações à Inforpress, a propósito da reapresentação do livro “Cabo Verde, Terra di Meu”, marcada para quinta-feira, 13, em São Domingos, Firmino Cachada destacou a importância de valorizar Ano Nobo e a influência que exerceu sobre várias gerações de músicos do município.

“Eu vou chamar a atenção, primeiro que tudo, para a personalidade do Ano Nobo como mestre de todos estes músicos de São Domingos que aprenderam com ele”, afirmou, acrescentando que o músico “era uma pessoa humilde” e que os próprios filhos, também músicos, “não se projectam” como deveriam.

Para o sacerdote, trata-se de “uma questão de justiça” projectar mais o nome de Ano Nobo, sobretudo tendo em conta o alcance que a obra já alcançou fora de Cabo Verde.

Segundo explicou, o livro “Cabo Verde, Terra di Meu”, que reúne elementos sobre a vida e obra do músico, encontra-se referenciado na Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos e na Assembleia da República de Portugal.

Firmino Cachada defendeu igualmente a necessidade de iniciativas que contribuam para a valorização da música e dos músicos de São Domingos. Nesse sentido, referiu a possibilidade de criação de um centro cultural e de uma escola de música gratuita no município.

O padre considerou que a criação de um centro cultural e de uma escola de música poderia contribuir não apenas para tornar Ano Nobo mais conhecido, mas também para valorizar outros músicos de São Domingos que considera de grande importância.

“Mas, na verdade, o mestre de todos era o Ano Nobo”, sublinhou Firmino Cachada, ao recordar a ligação dos músicos de São Domingos ao grupo coral que fundou e no qual Ano Nobo participava e ajudava os mais jovens a aprender.

O livro “Cabo Verde, Terra di Meu” surgiu no âmbito desse trabalho e dessa convivência com os músicos de São Domingos.

A reapresentação do livro “Cabo Verde, Terra di Meu” acontece esta quinta-feira, no salão paroquial de São Domingos. A primeira apresentação da obra ocorreu em 2006.

Firmino Cachada explicou que decidiu fazer uma nova edição depois de a publicação ter ficado esgotada e de o então Presidente da República, José Maria Neves, ter referido, numa publicação da Presidência da República, a importância de serem impressos mais exemplares.

A nova edição foi impressa numa gráfica de Manaus, na Amazónia, tendo os exemplares sido transportados posteriormente para Lisboa e Praia.

A obra é dedicada a Ano Nobo e inclui a sua biografia, músicas, mornas e coladeiras, partituras, fotografias, testemunhos e uma componente dedicada às diferentes modalidades da música cabo-verdiana.

O autor explicou que algumas das partituras foram elaboradas para preservar as músicas e evitar que estas fossem posteriormente deturpadas.

A obra inclui ainda fotografias de músicos de São Domingos e outros elementos relacionados com a vida e a trajetória de Ano Nobo, incluindo referências aos seus filhos, também músicos.

O sacerdote afirmou ainda que a música cabo-verdiana constitui uma das principais razões da sua ligação a Cabo Verde, destacando particularmente a importância da morna.

TC/CP

Inforpress/Fim

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