
Cidade da Praia, 12 Out (Inforpress) – A cabo-verdiana Erise Semedo superou cinco anos de tratamento contra o cancro da mama, pelo que considerou que “o cancro foi uma bênção disfarçada”, porque lhe fez conhecer a força interior que desconhecia.
No âmbito do Outubro Rosa, a Inforpress conversou com Erise Semedo, uma mulher que aos 26 anos viveu de perto a luta contra o cancro de mama e que hoje, com serenidade e gratidão, partilha a sua história para inspirar outras mulheres.
Uma história de coragem, fé e amor-próprio que ecoa como uma mensagem de esperança.
Tudo começou em 2019, quando Semedo, ao deitar-se, em casa, notou por acaso um pequeno caroço do tamanho de um grão de ervilha. Inicialmente, não sentia dor, mas percebeu que algo não estava normal.
Após consultas e exames realizados em Cabo Verde, a confirmação chegou: tratava-se de um tumor maligno.
O diagnóstico, recebido meses após a morte de uma cunhada pela mesma doença, não abalou a serenidade de Erisa Semedo.
Só quando iniciou o tratamento em Portugal é que sentiu verdadeiramente o peso da doença e a realidade da luta que teria pela frente.
Durante os cinco anos de tratamento, o maior desafio foi a distância da filha, então com quatro anos, que ficou em Cabo Verde.
Entre cirurgias complexas e longos períodos de recuperação, contou com o apoio incondicional da mãe, que descreve como as suas “mãos e pés” por ter estado ao seu lado em todos os momentos, especialmente após ter sido submetida a quatro operações, incluindo a remoção de uma mama e parte da costela.
Apesar das dores e das limitações físicas, acredita que a fé em Deus foi o alicerce da sua força.
Semedo acredita que a doença lhe revelou capacidades que desconhecia e fez com que passasse a encarar a vida de uma forma totalmente diferente.
“O cancro foi uma bênção disfarçada, porque me fez conhecer a força que eu tinha”, confidenciou, com emoção.
Da experiência, aprendeu que a família é o verdadeiro pilar da vida e que o valor humano supera qualquer riqueza material.
A luta contra o cancro tornou-se, para ela, um despertar espiritual e emocional, uma boa forma de viver com propósito e gratidão.
Quando recebeu a notícia de que o tratamento terminaria este ano, descreveu o momento como de pura felicidade.
“Foi como se Deus me dissesse: agora vai viver”, contou revelando que, embora viva com limitações, sente-se completamente curada e em paz.
Semedo deixou ainda uma mensagem às mulheres: que aprendam a cuidar de si próprias antes de cuidarem dos outros.
Para tal, o amor-próprio e a atenção ao corpo são fundamentais para a prevenção e o diagnóstico precoce.
“Amar-se é o melhor remédio. É cuidando de si que se cuida de quem se ama”, afirmou.
Segundo ela, a sociedade também tem um papel crucial, “mais do que pena (lamentos), deve oferecer empatia e presença”.
Acredita que o apoio emocional e o diálogo sincero são essenciais para fortalecer quem enfrenta a doença.
Hoje, com fé renovada e um sorriso tranquilo, Erise Semedo vive como exemplo de resiliência e esperança, provando que, mesmo nas situações mais desafiantes, é possível renascer e encontrar a beleza na vida.
KF/SR//HF
Inforpress/Fim
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