
Cidade da Praia, 05 Nov (Inforpress) – Os 20 indivíduos detidos no âmbito da Operação ‘Shark’, da Polícia Judiciária (PJ), suspeitos de tráfico de droga e outros crimes, começaram hoje a ser ouvidos por um juiz, depois de terem sido apresentados ao tribunal na terça-feira.
Os detidos foram conduzidos ao tribunal na tarde de terça-feira, 04, em três viaturas Hiace, sob forte aparato policial, mas, conforme apurou a Inforpress junto de uma fonte judicial, nenhum deles foi ouvido.
Os suspeitos, de acordo com o comunicado da PJ divulgado na quarta-feira, 04, foram detidos fora de flagrante delito, sendo 17 homens e três mulheres.
Entre os detidos, que foram localizados em diferentes bairros da capital, quatro são agentes da Polícia Nacional (PN), cinco guardas prisionais e “um alto dirigente da Administração Pública”.
Os detidos, acrescenta a mesma fonte, têm idade compreendida entre os 20 e 60 anos e “estão indiciados pela prática, em coautoria, de crimes de tráfico de estupefacientes de alto risco, conversão, dissimulação e branqueamento de capitais, e associação criminosa”.
Na sequência desta operação, que contou com a colaboração da PN e da direção da Cadeia Central da Praia, foi dado cumprimento a uma dezena de mandados de busca e apreensão domiciliária, promovidos pelo Ministério Público e emitidos pelo juiz de instrução criminal.
No decurso das buscas, indicou a PJ, foram apreendidas uma espingarda caçadeira, uma pistola de calibre 6,35 mm e várias munições.
Foi igualmente apreendida uma determinada quantidade de cannabis e respectivos derivados, bem como cocaína, duas viaturas e diversos equipamentos eletrónicos que serão submetidos a perícia.
Alguns dos detidos, indicou o comunicado da polícia científica, são referenciados pelas autoridades e com condenações anteriores por crimes diversos.
Reagindo à referida detenção, o ministro da Administração Interna, Carlos Sena Teixeira, em declarações imprensa, à margem de uma visita de trabalho ao município de São Miguel, confirmou que teve conhecimento dos mandados emitidos pelo Ministério Público, sublinhando, contudo, que os factos em causa remontam a 2016 e 2017, antes da entrada em funções do actual Governo.
Carlos Sena Teixeira questionou o facto de os mandados terem surgido apenas agora, e considerou que o intervalo entre os acontecimentos e as detenções levanta questões que devem ser esclarecidas.
“Este Governo não vai proteger ninguém que cometa crime”, afirmou, ressalvando, entretanto, que os elementos conhecidos até ao momento constituem apenas indícios e não representam uma acusação ou condenação.
LC/AA
Inforpress/Fim
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