
Cidade da Praia, 13 Out (Inforpress) – O Observatório Nacional do Tráfico de Pessoas (ONTP) pretende reforçar a rede de resposta ao tráfico de pessoas em Cabo Verde, promovendo uma intervenção integrada e eficaz, com maior envolvimento dos actores sociais.
A garantia foi dada hoje pelo presidente do ONTP, José Luís Vaz, em declarações à imprensa na abertura do encontro de concertação com a sociedade civil e parceiros sociais sobre o Combate ao Tráfico de Pessoas, a sob o lema “Construindo uma resposta integrada para a prevenção do tráfico de pessoas e a protecção das vítimas”.
“Esta iniciativa, em particular, pretende reforçar a rede de resposta e promover uma resposta integrada e cada vez mais eficaz para que todos os actores da sociedade estejam efectivamente preparados para poder visualizar este fenómeno a bem das potenciais vítimas”, explicou.
Aquele responsável alertou que a realidade estatística ainda é marcada pela subnotificação, ressalvando que a ausência de números expressivos não significa que o crime não esteja a acontecer em Cabo Verde.
“Esta subnotificação não significa que este fenómeno não nos deve preocupar ou que então não temos crime de tráfico a acontecer em Cabo Verde”, afirmou, sublinhando que se trata de um crime muitas vezes invisível.
Segundo José Luís Vaz, os traficantes aproveitam-se frequentemente das vulnerabilidades económicas e sociais das pessoas, recorrendo a promessas que podem transmitir uma falsa aparência de legitimidade ou de boa intenção.
Neste sentido, defendeu o reforço da capacidade de identificação e encaminhamento de potenciais vítimas, através de uma resposta articulada entre as instituições públicas, as organizações da sociedade civil e os restantes parceiros.
Para ele, a cooperação constitui um dos princípios fundamentais da estratégia nacional de combate ao tráfico de pessoas, que assenta igualmente na apropriação nacional do processo.
“Este combate não é só do Estado, não é só do Observatório. Todos os actores da sociedade cabo-verdiana têm de assumir este combate também como o seu”, salientou.
José Luís Vaz considerou que tem havido uma melhoria no comprometimento dos diferentes intervenientes, apontando uma maior disponibilidade para participar nas acções de sensibilização e contribuir para o reforço da cooperação.
Sobre os resultados esperados do encontro, explicou que a iniciativa pretende abrir um espaço de diálogo estratégico, com particular atenção à auscultação da sociedade civil e à percepção que os seus representantes têm do fenómeno nas diferentes localidades.
O responsável realçou o papel das associações comunitárias, organizações não-governamentais (ONG) e sindicatos, considerando que, pela proximidade com as comunidades, estes actores estão em melhores condições para identificar vulnerabilidades e reconhecer precocemente situações de risco.
O encontro deverá, assim, permitir fazer um diagnóstico da realidade actual nos bairros e recolher contributos dos participantes para reforçar a resposta nacional ao tráfico de pessoas.
DR/HF
Inforpress/Fim
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