
João Teves, 04 Nov (Inforpress) – O director nacional das Aldeias SOS explicou que o novo Fluxograma de Atendimento às crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual pretende garantir um acompanhamento mais humano, centrado na recuperação emocional e psicológica da vítima, evitando a sua revitimização.
Esta explicação foi dada hoje em declarações à imprensa pelo director nacional das Aldeias Infantis SOS em Cabo Verde, Ricardo Andrade, à margem do ateliê de validação do documento, realizado no município de São Lourenço dos Órgãos, em parceria com o Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA) e o Ministério da Saúde.
Segundo Ricardo Andrade, o objectivo principal é “criar um sistema sincronizado” que una todas as entidades que intervêm na protecção da criança, desde a saúde, polícia, justiça e instituições sociais para que a vítima “não tenha de reviver o trauma em diferentes etapas do processo”.
“A justiça não termina com a condenação do agressor. O trabalho verdadeiro começa depois, quando é preciso restabelecer o equilíbrio emocional e psicológico da criança, para que ela possa retomar a vida de forma normal”, sublinhou.
Por sua vez, a directora nacional da Saúde em substituição, Yorleydis Rosabal, explicou que as novas directrizes e o fluxograma vão permitir harmonizar o atendimento e reduzir falhas e morosidades no processo, orientando todos os técnicos de saúde, do ICCA, da polícia e das organizações parceiras, e garantir que “a dignidade, a confidencialidade e a protecção da criança sejam sempre salvaguardadas”.
A presidente do ICCA, Zaida Freitas, destacou, por sua vez, que o fluxograma resultará num “instrumento de articulação interinstitucional” que permitirá que todas as entidades trabalhem de forma coordenada.
“Queremos que cada técnico saiba exactamente o que fazer, quando e como agir, sem duplicação de esforços nem falhas na resposta”, afirmou.
A iniciativa enquadra-se no Projecto Djunta Món e ambiciona um diálogo frutífero com especialistas multissetoriais e multidisciplinares, para assegurar uma abordagem integrada, permitindo actuar de forma conjunta, complementar e orientada na prevenção, protecção e responsabilização nos casos de violência sexual.
O projecto é uma iniciativa das Aldeias Infantis SOS, financiado pela União Europeia, e será implementado em nove comunidades de diferentes municípios do país, com foco nas duas ilhas que registaram maior número de denúncias de abuso sexual em 2023, sendo elas a ilha do Fogo, especificamente no município de São Filipe (32 casos), e a ilha de Santiago (36 casos).
DV/ZS
Inforpress/Fim
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