
Cidade da Praia, 12 Out (Inforpress) – A nova presidente do Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA), Denise Elias Resende, anunciou hoje que uma das prioridades da nova gestão passa pela reorganização interna da instituição e a elaboração de um plano estratégico.
Em entrevista exclusiva à Inforpress, a responsável, que iniciou as funções no primeiro de Outubro, explicou que a instituição se encontra numa fase de diagnóstico institucional, tendo como uma das principais mudanças a introdução de um conselho directivo, estrutura que, segundo disse, passa a permitir uma gestão mais próxima, equilibrada e eficiente das diferentes áreas.
Denise Elias Resende adiantou que uma das necessidades é a criação de um gabinete jurídico e de um gabinete de recursos humanos, tendo em conta a complexidade das questões que o Instituto acompanha e o número de colaboradores que, actualmente, se situa em 186, entretanto insuficiente face à demanda.
A responsável apontou, igualmente, a necessidade de melhorar os indicadores de qualidade dos serviços prestados, nomeadamente, através da definição de rácios entre o número de profissionais e as crianças acolhidas nos centros, situação que, segundo esclareceu, pode contribuir para a permanência prolongada das crianças nas instituições.
Elencou a elaboração de um plano estratégico até 2030 que estabeleça os principais eixos de transformação do ICCA, os objectivos, os indicadores e os prazos concretos, permitindo acompanhar os resultados e introduzir medidas correctivas sempre que necessário.
“Não é apenas gerir situações, mas é garantir que cada intervenção tenha uma perspectiva de solução e produza uma mudança concreta na vida de cada criança que é sinalizada e que chega até nós”, pontuou.
A nova presidente enfatizou ainda a necessidade de melhorar a recolha e a organização dos dados sobre as crianças acompanhadas pela instituição, considerando que essa informação é fundamental para planear intervenções adequadas, conhecer o número e o perfil das crianças sinalizadas e acompanhar a sua evolução.
Segundo Denise Elias Resende, a expectativa é que esta questão esteja resolvida até ao final do mandato, permitindo uma intervenção mais articulada e sustentada em informação que facilite a monitorização e a avaliação dos resultados.
A responsável defendeu também a efectiva operacionalização dos comités de defesa dos direitos da criança e do adolescente, para que “deixem de existir apenas formalmente” e passem a funcionar na prática.
Questionada sobre a intenção do Governo de retirar o Centro Orlando Pantera do sistema prisional e criar uma nova estrutura socioeducativa para menores, Denise Elias Resende considerou necessário reforçar o trabalho preventivo nas comunidades e junto das famílias, de forma a evitar que as crianças entrem em conflito com a lei.
A responsável explicou que o perfil das crianças e adolescentes que chegam aos centros de emergência infantil tem vindo a apresentar novas características, incluindo situações de rua e consumo de álcool e outras drogas.
Denise Elias Resende encontra-se, neste momento, de visita às estruturas do ICCA em São Vicente, de hoje até quarta-feira, 14, e em Santo Antão quinta e sexta-feira, respectivamente.
LT/HF
Inforpress/Fim
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