
Cidade da Praia, 15 Jan (Inforpress) - A recente alteração da lei de imigração dos Estados Unidos da América (EUA) está a preocupar a Associação Cabo-verdiana de Brockton, que apelou aos cabo-verdianos a repensarem a emigração e investir na terra natal como garantia de futuro.
Em entrevista à Inforpress, a partir dos Estados Unidos, o presidente desta associação, Carlos Silva, lamentou a nova exigência de caução para a obtenção de vistos de turismo ou negócios, que pode chegar até 15 mil dólares, mediante avaliação consular.
Segundo disse, trata-se de um montante inacessível para muitas famílias cabo-verdianas que costumavam viajar para os Estados Unidos para turismo ou pequenos negócios, daí temer que isso possa provocar redução significativa das viagens, com impacto directo na economia de Cabo Verde.
Em relação à suspensão de vistos de imigrantes, sublinhou que grande parte dos cabo-verdianos tem "sonho americano" e que isso vai quebrar um pouco a ansiedade dos que aguardam processos de imigração.
“Para nós é uma situação preocupante, mas pensamos que é uma suspensão por um tempo determinado, para ver o que é possível restruturar”, afirmou, sublinhando que os Estados Unidos têm as suas próprias leis e regras, que devem ser respeitadas.
Para além disso, o presidente da Associação Cabo-verdiana de Brockton manifestou também preocupação com a persistência de polícias de emigração que continuam a inspeccionar pessoas indocumentadas.
Neste contexto, apelou aos cabo-verdianos a repensarem a emigração e investir em Cabo Verde como garantia de futuro, defendendo, ainda, que o arquipélago deve preparar melhor os seus cidadãos para a emigração.
“Devemos preparar-nos para dois cenários e compreender que o nosso país é a única terra onde ninguém nos pode expulsar”, afirmou, lembrando experiências passadas de migração para outros países africanos, como Angola, em que muitos cabo-verdianos acabaram por regressar sem garantias.
Carlos Silva afirmou que cerca de 80 por cento (%) dos cabo-verdianos que entram nos EUA acabam por permanecer além do tempo autorizado, o que contribuiu, conforme disse, para a alteração da política migratória dos EUA.
“Acho que o que os Estados Unidos querem neste momento é ter os Estados Unidos limpo, e quanto mais dependentes do Estado conseguirem mandar, para eles será um ganho”, sustentou, alertando que no contexto global os países estão a restringir cada vez mais a entrada de estrangeiros.
Entretanto, a associação se colocou à disposição para orientar a comunidade, em especial às pessoas em situação de vulnerabilidade.
Cabo Verde integra a lista dos 75 países com vistos de imigração suspensos pelos Estados. A restrição não afecta os vistos temporários de turismo ou negócios e aplica-se a países cujos imigrantes recebem apoios sociais em “níveis considerados inaceitáveis”.
O país consta também da lista dos 38 países do programa de caução de vistos dos Estados Unidos da América, que terão de pagar uma caução de até 15 mil dólares (mais de 1400 contos) ao serem considerados elegíveis para um visto de negócios/turismo (B1/B2).
ET/ZS
Inforpress/Fim
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