Nova administração da ANAS assume funções com foco na segurança hídrica e expansão do saneamento no país

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Nova administração da ANAS assume funções com foco na segurança hídrica e expansão do saneamento no país
13/08/26 - 07:02 pm

Cidade da Praia, 13 Ago (Inforpress) – A nova administração da Agência Nacional de Água e Saneamento (ANAS) tomou hoje posse, assumindo o desafio de reforçar a gestão dos recursos hídricos, reduzir perdas, expandir o saneamento e garantir maior articulação entre água, energia e clima.

O novo conselho é liderado pelo engenheiro Manuel Fragoso, que assume a presidência do conselho de administração, tendo como vogais executivas Ivandra Vieira e Joana Tavares.

Com mais de 24 anos de experiência nas áreas de engenharia, ambiente, recursos hídricos e alterações climáticas, Manuel Fragoso é licenciado em Engenharia Química Industrial e pós-graduado em Engenharia de Gás Natural pela Universidade Federal de Sergipe, no Brasil.

No seu primeiro discurso como presidente da ANAS, Fragoso assumiu a nova função como uma “responsabilidade acrescida”, evidenciando a importância estratégica da água para o desenvolvimento de Cabo Verde.

“A ANAS é, antes de tudo, a guardiã do recurso mais estratégico da nossa nação”, afirmou, defendendo que a segurança hídrica deve ser encarada como condição para o crescimento económico, a justiça social e a resiliência climática do arquipélago.

Entre as prioridades apontadas pelo novo presidente estão a diversificação das fontes de água, a descentralização, a reutilização, a monitorização dos aquíferos e a protecção contra a intrusão salina, bem como a adopção de tecnologias capazes de reduzir perdas.

A mesma fonte defendeu uma abordagem integrada ao saneamento, com aposta no tratamento adequado das águas residuais e na gestão sustentável dos resíduos sólidos, considerando-os recursos com potencial de valorização no âmbito da economia circular.

“Conhecer o valor da água é também garantir uma gestão justa e transparente, onde a eficiência seja regra e não uma excepção”, sublinhou.

Por sua vez, Ivandra Vieira, vogal executiva, é licenciada em Gestão de Empresas pelo Instituto Politécnico de Santarém e tem experiência em gestão financeira, planeamento, contabilidade, auditoria e contratação pública.

Joana Brito Mendonça Tavares, também vogal executiva, é licenciada em Engenharia Civil pela Universidade de Coimbra e pós-graduada em Engenharia Sanitária pela Universidade Nova de Lisboa.

Ao conferir posse à nova administração, o ministro do Ambiente, Carlos Varela, considerou que a equipa assume funções num contexto particularmente exigente, marcado pelos efeitos das alterações climáticas e pela necessidade de garantir maior segurança hídrica no país.

O governante definiu quatro áreas prioritárias para a actuação da nova administração, nomeadamente reforço da gestão integrada dos recursos hídricos, aprofundar a articulação entre água, energia e clima, acelerar a expansão do saneamento e a reutilização segura das águas residuais, e por fim fortalecer a governação, transparência e coordenação do sector.

Na gestão dos recursos hídricos, o Governo pretende melhorar o conhecimento sobre a disponibilidade e o consumo de água e combater as perdas existentes nas redes.

Quanto à relação entre água e energia, o ministro vincou a necessidade de uma incorporação progressiva de energias renováveis nos processos de dessalinização e bombagem, como forma de reduzir custos e a dependência dos combustíveis fósseis.

No domínio do saneamento, defendeu a expansão do tratamento e reutilização das águas residuais, nomeadamente para a agricultura e espaços verdes, considerando que, num país marcado pela escassez, a água tratada deve ser encarada como um recurso e não como um resíduo.

A quarta prioridade passa pelo reforço da governação do sector, através de maior transparência institucional, coordenação com municípios e operadores, acompanhamento dos investimentos e definição de metas com resultados verificáveis.

Varela apelou ainda à preparação de uma carteira de projectos “maduros e tecnicamente consistentes”, capaz de permitir ao país mobilizar financiamento climático, cooperação internacional e investimento privado de forma atempada.

A nova equipa assume assim a condução da ANAS num momento em que a gestão da água e do saneamento se cruza directamente com desafios de segurança hídrica, transição energética, adaptação às alterações climáticas, saúde pública e desenvolvimento sustentável de Cabo Verde.

KA/ZS

Inforpress/Fim

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