
Cidade da Praia, 22 Fev (Inforpress) - O grupo de batuku Nôs Herança movimentou na tarde de hoje o Largo do Pelourinho, na Cidade Velha, com uma roda de batuku para assinalar o 35.º aniversário, com jovens batucadeiras do município e da ilha de Santiago.
Fundada em 25 de Fevereiro de 1990, na Cidade Velha, por um grupo de 20 mulheres, a representante da Associação Nôs Herança, Ana Paula Moura, para quem se trata de um marco histórico, a organização tem desempenhado “um papel fundamental” na preservação, promoção e divulgação de uma das expressões culturais mais antigas de Cabo Verde.
A celebrar 35 anos de existência, a mesma fonte disse que o grupo, que hoje conta 12 elementos, “continua coeso” e contribuindo para a visibilidade e valorização desta manifestação cultural, dentro e fora do país.
“Somos o primeiro grupo de batuku que nunca deixou de existir e continua ainda firme, não obstante as lutas e desafios”, manifestou, sublinhando que o segredo está na união e no amor por esta manifestação cultural.
Apontando que ao longo dos tempos o batuku “evoluiu consideravelmente”, Ana Paula Moura lembrou que antigamente as batucadeiras eram “estigmatizadas”, vistas com “maus olhos” na sociedade, mas hoje o batuku “subiu aos palcos” e ostenta a bandeira de Cabo Verde, mundo fora.
“Através do batuku já conhecemos vários países que nunca a gente imaginou fosse algum dia possível. Já fomos à Lituânia, Holanda, Angola, São Tomé, Estados Unidos da América (… )”, descreveu, referindo que o segredo está na coesão do grupo.
“No amor e na confiança. Nós resistimos à separação e nos orgulhamos do grupo Nôs Herança. Hoje somos 12, porque outros elementos emigraram à procura de uma vida melhor, mas continuamos firmes, dando o nosso máximo para manter o grupo vivo”, enfatizou.
Ao fazer esta leitura aquela responsável almeja ver cada vez mais jovens a abraçarem esta manifestação cultural, a brincar o batuku, de modo a perpetuar o legado.
Francisca Mendes, a batucadeira mais antiga do grupo, que começou aos 16, e no próximo mês de Março completa 87 anos, o corpo “já não dá”, porque a “idade não perdoa”.
“Mas sinto-me feliz (…) às vezes mesmo com o corpo a não querer, a reclamar, participo nos eventos. Batuku nasceu para ficar. Cresce, amadurece, mas não morre. É a nossa herança, a nossa tradição. Ainda faço um jeito pa da ku tornu”, manifestou.
Segundo Ana Paula Moura “batuku é sempre na moda”, daí agradecer “a todas as pessoas que colaboraram para a realização desse momento especial” de celebração da cultura, da música e da tradição, nomeadamente a Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago, Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas e a Editora Nôs Raíz.
SC/AA
Inforpress/Fim
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