Modesto: A história de superação da dependência do álcool e outras drogas através da música e da fé

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Modesto: A história de superação da dependência do álcool e outras drogas através da música e da fé
12/02/25 - 05:13 pm

***Por: Marli Coutinho Mendes, da Agência Inforpress***

Tarrafal, 12 Fev (Inforpress) – Natural do Tarrafal de Santiago, João Semedo, mais conhecido como Modesto, considera-se um “exemplo inspirador” de superação da dependência química e amor à música.

Com 59 anos e actualmente a residir em Portugal, Modesto contou que transformou uma infância marcada pela pobreza e dificuldades numa trajectória de resiliência, guiada pela paixão pelo violão e pela fé.

À Inforpress, contou que desde a tenra idade, a música sempre fez parte da sua vida, mesmo que de forma improvisada.

“Os meus pais não tinham condições de comprar-me um violão, mas a minha paixão era tão grande que eu construí um de lata e linha de pesca”, relembra com nostalgia.

Com apenas 10 anos, ele já frequentava casas de vizinhos, como a do Maruca, onde se encantava com os sons do violão e outros instrumentos que os familiares tinham em casa e sempre pedia emprestado para praticar, embora nem todas as vezes tivesse sucesso na sua solicitação.

Mesmo assim não desistiu e continuou a praticar com o seu improviso e ao longo dos anos, contou que se destacou entre os tarrafalenses, animando eventos e turistas com o seu talento.

A sua determinação o levou a conseguir o seu primeiro violão através de um peditório organizado por amigos, mas, admitiu que a vida não foi fácil, mesmo com o seu tão sonhado violão, pois, aos 17 anos, ele iniciou um ciclo de consumo descontrolado de álcool que o levou a dormir na rua e a ser alvo de chacotas.

“É uma época triste e lamentável, mas que encaro para dar exemplo e conselhos aos mais jovens”, considerou, ressaltando que nem se lembra de alguns episódios que passaram nesta época.

A virada na sua vida aconteceu num centro de recuperação no município de Santa Cruz, a Tenda El Shadai.

“Depois da minha saída passei a tocar na Igreja do Nazareno, que me ofereceu um quarto para morar e a Câmara Municipal do Tarrafal apoiou-me com alguma quantia monetária mensalmente”, contou.

Em 2001, Modesto emigrou para Portugal, onde continuou a tocar e se envolver com músicos, mas a luta contra o vício persistiu, levando-o a internar-se em centros de recuperação várias vezes e foi numa instituição e Igreja Evangélica que Modesto fez uma mudança significativa.

“Decidi parar com o álcool e outras drogas que consumia num único dia. Já se passaram mais de 14 anos desde então”, afirmou, com um sorriso de gratidão e reconhecendo que a decisão de mudar em todas as vezes que procurou os centros de apoio partiu dele mesmo e que, se não tivesse tomado essa atitude, talvez não estivesse aqui para contar a sua história.

Actualmente, Modesto toca vários instrumentos num grupo da Igreja Evangélica, evitando ambientes que envolvam álcool, tornando-se um exemplo para os jovens, aconselhando-os a não experimentarem o álcool, pois “entrar é fácil, mas sair é difícil”.

Aliás, diz não ter vergonha de dizer que a sua experiência de superação serve como um espelho para as novas gerações que enfrentam desafios semelhantes.

Hoje, com um emprego estável na Junta da Freguesia Parque das Nações, em Portugal, Modesto expressa gratidão pela vida que construiu.

“Hoje sou grato e um vencedor. Venho a Cabo Verde sempre que quero”, concluiu, deixando uma mensagem para todos que sonham em superar as suas dificuldades.

“Com determinação, fé e apoio, é possível transformar dificuldades em conquistas e inspirar outros ao longo do caminho. Lembrem-se sempre de não experimentarem”, aconselhou Modesto.

MC/ZS

Inforpress/Fim

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