Moçambique repatriou 201 malauianos vítimas de xenofobia na África do Sul

Inicio | Internacional
Moçambique repatriou 201 malauianos vítimas de xenofobia na África do Sul
19/06/26 - 12:15 pm

Maputo, 19 Jun (Inforpress) – Moçambique repatriou um total de 201 cidadãos malauianos que entraram ao país de forma ilegal após serem vítimas de ataques xenófobos na vizinha África do Sul, anunciou hoje o Serviço Nacional de Migração (Senami).

“Hoje mesmo tivemos a informação dos colegas que estavam em plantão que os últimos 11 já seguiram viagem para o Maláui e o que o Senami faz ou está a fazer neste momento é que entrarmos em contacto com os nossos colegas nos controlos fixos para poderem fazer o acompanhamento destes nossos concidadãos, dar o acolhimento necessário e dar o acompanhamento até chegarem ao Maláui”, disse o porta-voz daquele organismo, Juca Bata, em conferência de imprensa, em Maputo.

Segundo o responsável, os 201 cidadãos malauianos entraram através do posto de travessia da Ponta de Ouro, na província de Maputo, que liga Moçambique à África do Sul, esclarecendo que foram retidos pelas autoridades por “violação da linha de fronteira”, tendo sido posteriormente transportados para o terminal rodoviário da Junta, na cidade de Maputo, onde seguiram viagem até Tete, no centro, que faz fronteira com o Maláui, para o repatriamento.

“Feita a triagem destes cidadãos e dos documentos apresentados, houve registo de 135 cidadãos do sexo masculino, 38 do sexo feminino e 28 menores, com idades compreendidas entre 3 meses e 46 anos, sendo que 44 portavam consigo os seus passaportes e 157 em situação de indocumentados”, explicou Juca Bata.

O repatriamento destes cidadãos foi feito a partir dos contactos com a representação diplomática do Maláui em Moçambique e a partir dos contactos de familiares das vítimas, com o Governo agora atento face à violação das linhas de fronteira para travar a entrada ilegal de estrangeiros no país.

Em 12 de junho, a Lusa noticiou que um total de 980 cidadãos malauianos estavam a ser repatriados da África do Sul devido à mais recente vaga de ataques xenófobos que assola o país, comunicou o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Maláui.

Saíram da África do Sul 14 autocarros com os cidadãos malauianos que estavam retidos no Centro de Detenção de Lindela, na província sul-africana de Gauteng, por incumprimento de normas migratórias, segundo um comunicado do Governo do Maláui.

As tensões xenófobas são um problema recorrente na África do Sul. Inúmeras comunidades de imigrantes foram repatriadas pelos próprios países, como Moçambique ou a Nigéria, e a África do Sul foi alvo de críticas internacionais por xenofobia. Os incidentes mais graves dos últimos tempos ocorreram no final de 2019, com 18 estrangeiros mortos, segundo dados da organização Human Rights Watch.

Manifestantes anti-imigração sul-africanos deram até 30 de junho para todos os estrangeiros abandonarem o país e o Governo da África do Sul anunciou nos últimos dias restrições às políticas migratórias.

Mais de 700 cidadãos nacionais já foram repatriados da vizinha África do Sul, após mais de 800 residentes na cidade de Mossel Bay, na província sul-africana de Cabo Ocidental, terem sido vítimas de ações de xenofobia, em 29 de maio, que já mataram nove moçambicanos.

Em 09 de junho, o Governo moçambicano admitiu preocupação com o “recrudescimento do discurso anti-imigração” na vizinha África do Sul, receando o agravamento da situação até final do mês, após o regresso de 714 cidadãos ao país nos últimos dias.

Já na quarta-feira, o Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês), partido no poder na África do Sul, distanciou-se, em Maputo, capital moçambicana, dos recentes ataques xenófobos "desumanos" no seu país, assegurando trabalhar numa resposta legal para travar a crise.

Moçambique tem cerca de 300.000 cidadãos residentes na África do Sul. A Presidência indicou, em comunicado, que “milhares” já regressaram ao país face à violência.

Inforpress/Lusa

Fim

Partilhar