Mobilização “Di Povo pa Povo” na Boa Vista assinalada por reivindicações locais e baixa adesão

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Mobilização “Di Povo pa Povo” na Boa Vista assinalada por reivindicações locais e baixa adesão
11/10/25 - 08:26 pm

Sal Rei, 11 Out (Inforpress) – A Boa Vista juntou-se hoje à mobilização nacional do movimento “Di Povo pa Povo”, para promover a cidadania activa e a união dos cabo-verdianos, que na ilha foi marcada por reivindicações locais e baixa adesão.

O evento, realizado em simultâneo com acções noutras ilhas e na diáspora sob o lema “Gossi ké hora”, teve a participação de cidadãos vestidos de branco, simbolizando a paz e a coesão social, mas a adesão local foi descrita por organizadores e participante na ilha de “baixa”.

Jailson Barros, um dos mobilizadores do movimento na Boa Vista, explicou à Inforpress que a sua motivação central é a devolução do “poder na mão do povo” e a união para fazer face à situação governamental.

Relativamente aos problemas específicos da ilha, o mobilizador criticou a gestão do sector turístico, que é o motor económico da Boa Vista, defendendo a necessidade de uma mudança urgente para que os benefícios sejam estendidos também às “pessoas locais”.

“A Boa Vista é uma ilha que tem um potencial enorme. Só que várias decisões que têm sido tomadas não têm sido úteis para a Boa Vista. A necessidade na Boa Vista é praticamente geral. O turismo que é o motor da ilha não esta a funcionar da maneira que deve”, afirmou Jailson Barros.

Orquídea Dom, participante na mobilização, reforçou as críticas com enfoque nas infra-estruturas e nos serviços sociais, apontando falhas na saúde, educação e, em particular, a ausência de estradas em condições na ilha, a falta de transporte e problemas de saneamento básico, como o lixo.

A cidadã também criticou a baixa adesão, se comparado o desinteresse em participar com o volume de reclamações ouvidas em privado e nas redes sociais, afirmando ser uma pena e que mais pessoas deveriam ter participado.

“As pessoas reclamam nas redes sociais, em grupos, nas ruas. E depois, na hora de aparecer, para juntar as mãos, para juntar voz, para a gente reclamar, ninguém quer aparecer”, lamentou, notando a presença de mais pessoas “de fora” na mobilização.

O mobilizador Jailson Lima Barros, embora também tenha reconhecido a adesão reduzida, afirmou que esta manifestação não foi o fim, mas “apenas o início”.

MGL/ZS

Inforpress/Fim

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