Missão empresarial da Gâmbia abre perspectivas de cooperação agrícola com Santiago Norte

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Missão empresarial da Gâmbia abre perspectivas de cooperação agrícola com Santiago Norte
20/08/26 - 02:36 pm

Assomada, 20 Ago (Inforpress) – A missão empresarial da Câmara de Comércio e Indústria da Gâmbia (GCCI) a Cabo Verde abriu hoje, em Assomada, perspectivas de cooperação no sector agrícola, com destaque para o acesso à terra, água, tecnologia e novos mercados.

O encontro, realizado na sede da Associação Comercial, Agrícola, Industrial e de Serviços de Santiago (ACAISA), reuniu empresários e agricultores da região Santiago Norte e a delegação da GCCI, liderada pela vice-presidente Fatou Jallow, para a partilha de experiências e identificação de oportunidades de cooperação e negócios.

Segundo o presidente da ACAISA, Felisberto Veiga, a iniciativa enquadra-se no plano estratégico da instituição, que desde 2018 tem apostado na valorização da agricultura em Santiago, através da identificação de parceiros e novas oportunidades para os seus associados.

Felisberto Veiga destacou as potencialidades da Gâmbia, nomeadamente a disponibilidade de terra e água, considerando que estes recursos podem abrir novas possibilidades aos empresários agrícolas cabo-verdianos, sem significar a substituição da produção nacional.

“Não vai ser a substituição da nossa agricultura, mas uma complementaridade”, afirmou, defendendo que empresários de Santiago possam estabelecer parcerias na Gâmbia, produzir naquele país e abastecer o mercado cabo-verdiano.

Para o responsável, a cooperação poderá ajudar a ultrapassar constrangimentos que condicionam a agricultura nacional, sobretudo a escassez de água e de terras cultiváveis e os elevados custos de produção, que afectam a competitividade do sector.

A vice-presidente da GCCI, Fatou Jallow, explicou que a missão pretende reforçar a cooperação entre as duas câmaras e aproximar os respectivos sectores privados, tendo a agricultura como uma das áreas prioritárias.

A responsável apontou a possibilidade de agricultores cabo-verdianos utilizarem a Gâmbia como base de produção, criando explorações agrícolas naquele país para fornecer directamente a Cabo Verde, particularmente hotéis e outros operadores turísticos.

“Temos água, terra e chuva”, salientou Fatou Jallow, acrescentando que a iniciativa poderá reduzir custos e tempo de transporte e garantir maior regularidade no fornecimento de produtos agrícolas ao mercado cabo-verdiano.

A dirigente gambiana apresentou ainda experiências de digitalização do sector agrícola, através de plataformas que ligam produtores a hotéis, restaurantes e supermercados, permitindo aos agricultores divulgar a produção e encontrar compradores, além de sistemas de pagamento digital e plataformas de formação.

Entre os agricultores de Santiago Norte, Lucas Furtado considerou a missão uma “abertura total” para o intercâmbio de conhecimentos e tecnologias, defendendo, contudo, a criação de mecanismos que permitam transformar as oportunidades identificadas em acções concretas.

Sílvio Tavares, por seu lado, apontou a necessidade de maior aproximação entre agricultores, Governo e parceiros estratégicos, defendendo intercâmbios e deslocações de produtores à Gâmbia para conhecerem directamente as práticas agrícolas e os mecanismos de apoio existentes naquele país.

A missão empresarial e de estudo institucional da GCCI a Cabo Verde visa, assim, reforçar os laços entre os dois países e criar bases para futuras parcerias, negócios e iniciativas conjuntas nos diferentes sectores do sector privado, com particular atenção à agricultura.

MC/AA

Inforpress/Fim 

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