Cidade da Praia, 12 Out (Inforpress) – O ministro do Ambiente, Acção Climática e Energia, Carlos Varela, alertou hoje que Cabo Verde perde mais de 50% da água produzida e defendeu medidas para reduzir o desperdício e melhorar a gestão dos recursos hídricos.
O governante falava na abertura do segundo seminário técnico da Comunidade da Água dos Países de Língua Portuguesa, na cidade da Praia, que reúne representantes e especialistas para a partilha de conhecimentos, soluções e boas práticas no domínio da gestão da água.
Na ocasião, Carlos Varela sublinhou que a água constitui um recurso estratégico para Cabo Verde, cuja vulnerabilidade às alterações climáticas e a escassez de recursos hídricos convencionais tornam a sua gestão uma questão de segurança e sobrevivência.
“Não devemos continuar a dar o luxo ou o desluxo de desperdiçar mais de 50% de água que nós produzimos”, afirmou o ministro, defendendo a necessidade de medidas concretas para reduzir as perdas nas redes de distribuição.
O governante chamou igualmente atenção para a necessidade de aproveitar melhor as águas pluviais, que, segundo observou, desaguam no mar e, em determinadas situações, provocam estragos nas cidades e nos centros urbanos.
Para o ministro, Cabo Verde deve investir em soluções que permitam captar e armazenar a água das chuvas, sobretudo num contexto em que a disponibilidade deste recurso é limitada e as alterações climáticas aumentam a pressão sobre os sistemas de abastecimento.
Carlos Varela destacou ainda a dessalinização da água do mar como um dos pilares do abastecimento urbano do país, e apontou para a necessidade de se reduzir os custos de produção e distribuição e de reforçar a reutilização de águas residuais tratadas para fins como a agricultura, a rega de espaços verdes e a indústria.
No domínio da relação entre água e energia, o governante salientou que o país está a acelerar a transição energética, através da integração de energias renováveis nos processos de produção e bombagem de água, com o objetivo de reduzir os custos operacionais e a pegada carbónica.
Apesar das medidas já implementadas, reconheceu que persistem desafios relacionados com as perdas de água, a eficiência dos sistemas e a necessidade de melhorar o quadro regulatório e institucional.
O ministro defendeu também o reforço da cooperação entre os países de língua portuguesa, considerando que a partilha de experiências e de conhecimentos técnicos pode contribuir para o fortalecimento das instituições, a capacitação dos profissionais e a identificação de soluções sustentáveis.
Embora os países participantes apresentem realidades geográficas e socioeconómicas distintas, Carlos Varela considerou que todos partilham o compromisso de garantir o acesso universal à água potável e ao saneamento básico, em conformidade com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030.
O seminário pretende promover o diálogo e a aprendizagem mútua, com vista à construção de soluções que melhorem a qualidade dos serviços de abastecimento de água e contribuam para a sustentabilidade dos recursos hídricos.
CG/AA
Inforpress/Fim
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