
Mindelo, 15 Out (Inforpress) – O ministro da Cultura, Indústrias Criativas, Juventude e Desporto recomendou hoje, em São Vicente, a transformação do potencial marítimo de Cabo Verde em investimento, emprego e rendimento para as famílias, através do desenvolvimento sustentável da economia azul.
António Sequeira Duarte falava ao presidir à abertura da 12ª edição da Feira das Actividades Económicas Ligadas ao Mar (Expomar), em representação ao Governo.
“O nosso verdadeiro desafio não consiste apenas em reconhecer essa riqueza, mas em transformá-la em valor económico, em oportunidades de investimento, em empregos dignos, em rendimento para as famílias e em melhores condições de vida para os cabo-verdianos”, afirmou o governante.
António Duarte considerou que o mar constitui um dos principais activos estratégicos do País e defendeu o reforço de sectores como as pescas, a aquacultura, os transportes marítimos, a reparação naval, o turismo náutico e a investigação científica.
Para o ministro, a Expomar deve funcionar como uma plataforma de aproximação entre empresas, instituições públicas, centros de investigação e investidores, transformando contactos em parcerias, negócios e oportunidades de emprego.
O governante destacou o papel de São Vicente no desenvolvimento da economia azul, tendo em conta a sua tradição marítima, a localização geográfica e a experiência nas actividades portuárias.
Sublinhou, contudo, a necessidade de mais investimentos, qualificação profissional e modernização das infra-estruturas para reforçar a competitividade da ilha.
António Sequeira Duarte alertou igualmente para a necessidade de conciliar o crescimento económico com a protecção dos oceanos, apontando a poluição marinha, a pressão sobre os recursos haliêuticos e as alterações climáticas como desafios que exigem respostas concretas.
“Proteger o oceano significa proteger a biodiversidade, a segurança alimentar, os meios de subsistência das comunidades costeiras e as bases de uma parte significativa da nossa actividade económica”, sublinhou.
Neste contexto, destacou a importância de reforçar a fiscalização e a gestão sustentável das pescas, investir na investigação marinha, melhorar a gestão dos resíduos e combater a poluição dos oceanos.
O governante recordou ainda que Cabo Verde assumirá, a partir de Janeiro de 2027, a presidência da Aliança dos Pequenos Estados Insulares (AOSIS), organização que dá particular atenção aos desafios enfrentados pelos países insulares, nomeadamente a subida do nível médio do mar e a perda de zonas costeiras.
O ministro considerou também que a economia azul deve ser inclusiva, capaz de beneficiar pescadores artesanais, peixeiras, pequenos empresários, mulheres e jovens empreendedores, através do acesso a equipamentos, financiamento, formação e novas oportunidades de comercialização.
Por sua vez, a vereadora de Mercados e Feiras da Câmara Municipal de São Vicente, Carla Monteiro, em representação do presidente da autarquia, afirmou que a Expomar permite valorizar a identidade marítima da ilha e reforçar parcerias para a criação de emprego qualificado, inovação e sustentabilidade.
A autarca garantiu que a Câmara Municipal continuará empenhada em criar condições locais para que a economia azul se traduza em emprego qualificado, inovação e sustentabilidade para a população.
Por sua vez, a administradora-delegada da Feira Internacional de Cabo Verde (FIC), Angélica Fortes, agradeceu às autoridades, aos colaboradores e às empresas participantes pela confiança na iniciativa.
Destacou igualmente a cedência gratuita de um espaço na Zona Industrial do Lazareto pela Cavibel para a realização da feira.
A 12.ª edição da Expomar decorre até Domingo, em São Vicente, reunindo empresas e instituições ligadas à economia do mar.
CD/JMV
Inforpress/Fim
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