Maioria dos países da CPLP sobe no índice de liberdade de imprensa

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Maioria dos países da CPLP sobe no índice de liberdade de imprensa
30/04/26 - 11:09 am

Lisboa, 30 Abr (Inforpress) - A maioria dos Estados da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP) subiu no índice de liberdade de imprensa, no qual Cabo Verde e Angola desceram posições, segundo um relatório da Repórteres Sem Fronteiras (RSF) divulgado hoje.

Entre os oito dos nove países lusófonos que integram o índice, já que São Tomé e Príncipe não consta, Cabo Verde ocupa agora a segunda melhor posição (40.º) - logo a seguir a Portugal (10.º) -, tendo descido 10 lugares.

A RSF afirmou que Cabo Verde "destaca-se na região [africana] por proporcionar um ambiente de trabalho favorável aos jornalistas", sendo a liberdade de imprensa garantida na Constituição.

"No entanto, os diretores dos meios de comunicação estatais, que dominam o panorama mediático, são nomeados diretamente pelo Governo", apontou a organização como um fator justificativo da descida.

Angola, que registou o pior resultado entre os membros da CPLP, ocupa agora o 109.º lugar, tendo registado uma descida de nove lugares por "a censura e o controlo da informação ainda [pesar] muito sobre os jornalistas angolanos", assinala-se.

Apesar da Guiné-Bissau e Guiné Equatorial terem subido no 'ranking' face a 2025, a RSF destacou que nestes dois países as autoridades controlam a informação e os órgãos de comunicação social, com os profissionais do setor a serem frequentemente alvo de ameaças e agressões físicas. 

"O Estado exerce um controlo rígido sobre os meios de comunicação. Não há média independente, e as autoridades podem demitir jornalistas que não se submetam à censura oficial. Nos veículos de comunicação estatais, as informações de interesse público sobre pandemias e acidentes graves, por exemplo, são relegadas para segundo plano", disse a organização sobre o cenário na Guiné Equatorial.

Moçambique registou uma subida de duas posições, ocupando agora o 99.º lugar. O Brasil subiu na classificação, de 63.º em 2025 para 52.º este ano. E Timor-Leste que ocupava a 39.ª posição, em 2025, é agora 30.º no 'ranking'.

De acordo com o índice, o país africano que está melhor posicionado é a África do Sul, que ocupa o 21.º lugar, e o que está pior, e no fim do 'ranking' global, é a Eritreia, no 180.º lugar. 

A RSF afirma que a liberdade de imprensa global está no nível mais baixo dos últimos 25 anos, em particular devido à criminalização do jornalismo.

No topo da lista, mais uma vez, está a Noruega, o único país a obter uma classificação de "excelente" (92,72 em 100), seguida dos Países Baixos, Estónia, Dinamarca, Suécia e Finlândia.

A maior queda em 2026 é protagonizada pelo Níger (37 posições de uma só vez, para o 120.º lugar), que ilustra a deterioração da liberdade de imprensa que se verifica há anos na região do Sahel, também devido aos ataques que tem vindo a sofrer por parte de diferentes grupos armados e das juntas militares no poder.

Inforpress/Lusa

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