
Porto Inglês, 20 Ago (Inforpress) – A presidente do ICCA reconheceu hoje a necessidade de se investir no incentivo à denúncia de violência sexual contra menores na ilha do Maio, adiantando que o número actual de denúncias pode não corresponder a situação real.
Zaida Freitas entende que por se tratar de uma ilha pequena em que todos se conhecem e possuem relações de amizade e parentesco pode inibir a denúncia de casos.
“Precisamos investir um bocadinho mais ainda no incentivo à denúncia, porque é uma ilha que em termos de expressão das denúncias não é expressiva. Nós, este ano, contamos com oito casos denunciados aqui desta ilha”, avançou à imprensa, no balanço da missão realizada por uma equipa do Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA) à ilha do Maio.
A presidente do ICCA realça que é necessário perceber se o número de denúncias na ilha corresponde à realidade dos factos ou se o factor proximidade tem afectado as denúncias, pelo que destaca que a omissão também é crime.
“Mas nós temos que levar as pessoas a perceberem que, para já, a omissão também é crime, não denunciar é crime, ser conivente de situações desta natureza é crime”, apontou Zaida Freitas, destacando, uma vez mais, a importância das linhas 800 10 20 e 132 para denúncias.
Desde sábado, 17, o ICCA tem intensificado a campanha Proteja em todas as comunidades da ilha de Maio, no sentido de sensibilizar a população para a protecção das crianças e adolescentes e prevenção de crimes sexuais.
Zaida Freitas destacou a participação das pessoas durante as acções de sensibilização, mas entende que ainda é cedo para falar do impacto da campanha, já que, como disse, “está-se a falar, sobretudo, de mudanças de mentalidades”.
“Nós temos esta obrigação, nós temos esta responsabilidade e até mudarmos estas componentes culturais da mentalidade, com certeza que irá levar o seu tempo, mas estamos aqui firmes e empenhados, juntamente com os nossos parceiros, para mudarmos a mentalidade da sociedade de Cabo Verde”, finalizou.
A nível nacional já são 84 denúncias de violência sexual contra menores, um número menor do que nos outros anos, mas que, segundo Zaida Freitas, poderá aumentar tendo em conta os impactos da campanha Proteja no incentivo à denúncia.
RL/CP
Inforpress/Fim
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