
Cidade da Praia, 20 Jul (Inforpress) – O escritor cabo-verdiano Mário Loff considerou hoje que a literatura deve formar cidadãos críticos e conscientes, e que uma sociedade que lê é menos vulnerável à manipulação e mais capaz de questionar a realidade.
Em entrevista à Inforpress, o autor de “Hambúrguer de Carne e Espírito” afirmou que a literatura não existe para proporcionar conforto, mas para iluminar aquilo que a sociedade insiste em esconder, dando voz a quem permanece nas margens e despertando nos leitores uma atitude de permanente questionamento.
Segundo o escritor, a escrita deve contribuir para formar cidadãos capazes de pensar de forma autónoma, defendendo que a literatura não serve para produzir escritores famosos, mas leitores mais livres e conscientes.
Mário Loff considerou que a abundância de informação proporcionada pelas novas tecnologias não corresponde necessariamente a um maior conhecimento, advertindo que as redes sociais criaram a ilusão de que falar muito significa pensar profundamente.
O escritor sustentou que a leitura continua a ser um dos principais instrumentos para desenvolver o espírito crítico, por permitir compreender diferentes perspectivas e reconhecer a complexidade dos problemas, contrariando visões simplistas da realidade.
Na entrevista, defendeu ainda que a literatura deve levantar perguntas mais do que oferecer respostas, acrescentando que um livro pode não mudar imediatamente uma sociedade, mas tem capacidade para transformar a consciência dos seus leitores.
Natural do Tarrafal de Santiago, Mário Loff é poeta, ficcionista, activista cultural. Licenciado em História e Património pela Universidade de Cabo Verde, é membro fundador da Associação Literária de Tarrafal de Santiago (ALTAS).
JMV/AA
Inforpress/Fim
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