Cidade da Praia, 16 Out (Inforpress) – A língua cabo-verdiana continua a afirmar-se na diáspora, através do interesse das novas gerações pelas suas raízes e do uso das tecnologias digitais, considerou hoje, na Praia, a directora do Património Imaterial do IPC.
Em declarações à Inforpress na abertura da mesa-redonda sobre “A língua cabo-verdiana na diáspora: expectativas e vivências”, a directora do Património Imaterial do Instituto do Património Cultural (IPC), Indira Semedo, considerou que a realidade linguística das comunidades cabo-verdianas no estrangeiro é heterogénea, com as gerações mais recentes a dominarem, por vezes, mais a língua do país de acolhimento.
“As redes sociais, as tecnologias e os aplicativos de aprendizagem são instrumentos que facilitam o acesso ao crioulo, inclusive por pessoas sem origem cabo-verdiana, mas interessadas na língua e na cultura do país”, sustentou.
Segundo Indira Semedo, apesar de nem sempre aprenderem crioulo em casa, muitos jovens procuram conhecer o legado linguístico dos avós e bisavós.
“Então se percebe que há toda uma apropriação dessa geração mais nova do uso do crioulo, tanto a nível nacional como a nível da diáspora”, reforçou.
A directora do Património Imaterial do IPC destacou ainda o ensino da língua cabo-verdiana em países como Portugal e Estados Unidos, considerando-o uma conquista para o reconhecimento da identidade das comunidades nos países de acolhimento.
“Não é só um processo de ensino, é reconhecer que existe uma língua que é falada por um grupo”, sublinhou Indira Semedo que manifestou confiança no futuro da língua.
A mesa-redonda reúne investigadores com experiência junto das comunidades cabo-verdianas nos Estados Unidos e em Portugal, nomeadamente Manuel Lopes, ligado ao trabalho com emigrantes nos Estados Unidos, e a professora Ana Josefa, que desenvolve actividades de ensino junto da comunidade cabo-verdiana em Portugal.
Segundo Indira Semedo, o encontro procura ir além de uma discussão estritamente linguística, porque quer privilegiar as experiências e vivências dos falantes e a forma como estes mantêm a relação com a língua e a identidade cabo-verdianas.
A presidente do IPC, Ana Samira Silva, por seu lado, presidiu a abertura da mesa redonda, uma iniciativa enquadrada nas comemorações do Dia Nacional da Cultura e das Comunidades, celebrado a 18 de Outubro, este ano sob o lema “Cultura, memória e comunidades: construindo pontes para o futuro”.
Com actividades em várias ilhas do arquipélago e na diáspora promovida pelo Governo, através do Ministério da Cultura, Indústrias Criativas, Juventude e Desporto, as comemorações envolvem instituições, associações e promotores culturais.
DR/AA
Inforpress/Fim
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