Pastor da Igreja do Nazareno denuncia “burocracia pesada” do INPS e pede revisão urgente da lei de evacuações médicas (c/áudio)

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Pastor da Igreja do Nazareno denuncia “burocracia pesada” do INPS e pede revisão urgente da lei de evacuações médicas (c/áudio)
30/01/26 - 06:07 pm

Cidade da Praia, 30 Jan (Inforpress) – O pastor da Igreja do Nazareno denunciou hoje a postura do INPS face ao sistema de evacuações médicas, que classificou de “desumano”, “burocrático”, que "não serve os cabo-verdianos, pelo que apela à revisão urgente da lei de evacuações.

O pastor David Araújo manifestou esta preocupação em declarações à Inforpress, considerando que o sistema de evacuações médicas de Cabo Verde está sob “fogo cruzado”, pelo que entende que o actual quadro legal, neste capítulo, precisa de uma “revisão profunda”.

Num relato emotivo e crítico, o pastor da Igreja do Nazareno lançou esse olhar ao Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), após vivenciar um problema grave de saúde, acautelando que a rigidez da lei do Instituto está a condenar cidadãos à cegueira e, em casos extremos, à morte.

O alerta surge após o pastor ter sido diagnosticado com um descolamento de retina em Julho passado, que apesar da urgência diagnosticada por dois médicos em Cabo Verde para evitar a perda total da visão, conforme conta, a resposta do sistema público foi lista de espera que poderia chegar a um ano e meio.

“Decidi avançar para Portugal à custa própria, fazendo um sacrifício financeiro”, explicou, aludindo que em Lisboa, o tratamento foi imediato, confirmando a gravidade que o sistema nacional não conseguiu processar a tempo.

Durante os 40 dias de tratamento ali, disse ter reflectido bastante sobre a situação da saúde e das evacuações em Cabo Verde, e a sorte de ter tido meios, contrastando com a realidade do “povo simples e vulnerável”.

“Entendo que Deus nos permite passar por situações do tipo para percebermos o que é que o povo está passando. Ouvi muitas histórias de pessoas que perderam a visão, e outras pessoas que passaram por situações bem difíceis e até gente que morreu por causa do atraso das evacuações para Portugal”, lamentou.

“Eu creio que é um momento importante para se debruçar sobre o assunto. O INPS acelera para fazer cumprir a lei quando se trata de cobrar multas por atrasos nas contribuições, mas para salvar vidas, a lei é uma barreira”, lamentou, referindo-se à recusa de apoio financeiro retroactivo para as despesas que suportou, passagens, alojamento e tratamentos privados.

Neste sentido, criticando a postura do INPS que, segundo ele, se “escuda na lei” para negar comparticipações a quem procura alternativas perante a incapacidade de resposta do Estado, David Araújo apela à reforma urgente e profunda do actual quadro legal.

A mesma fonte defende, assim, maior flexibilidade na comparticipação de despesas para quem, em situações de urgência, opte pela via privada ou por meios próprios perante a demora do Estado, redução da burocracia no sentido da simplificação do processo de Junta Médica e maior celeridade na articulação com Portugal e Dakar, também na humanização, um sistema que foque na saúde do doente e não apenas em trâmites administrativos.

“Depois de 50 anos de Independência, devíamos estar numa posição melhor”, asseverou, sublinhando que recebe diariamente pedidos de ajuda de pessoas “desorientadas” que não conseguem evacuação para Dakar ou Portugal.

David Araújo prometeu levar estas preocupações directamente aos governantes, reforçando que “a lei deve servir as pessoas, e não prejudicar quem precisa”.

“Não estou a fazer uma reclamação com qualquer propósito económico ou de pedir ajuda, mas a constatação que fiz e o meu entendimento sobre esta situação em particular”, concluiu.

A Inforpress tentou uma reacção oficial por parte da administração do INPS face a essas declarações, mas sem sucesso.

SC/ZS

Inforpress/Fim

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