
Lampedusa, Itália, 04 Jul (Inforpress) - O Papa Leão XIV homenageou hoje os migrantes que morreram na rota do Mediterrâneo Central durante a visita à ilha italiana de Lampedusa, onde evocou também o legado do seu antecessor, Francisco, na resposta à crise humanitária.
A pequena ilha do sul de Itália, situada no Mediterrâneo Central, é há vários anos um dos principais pontos de chegada de milhares de pessoas que tentam alcançar a Europa a partir da costa do Norte de África.
Treze anos depois da visita do Papa Francisco, Leão XIV iniciou a agenda de quatro horas na ilha com uma deslocação ao cemitério local, onde depositou uma coroa de flores nos túmulos de vários migrantes, muitos dos quais continuam por identificar.
Depois de aterrar, às 9 horas locais (8 horas em Portugal continental), no aeroporto de Lampedusa, proveniente de Roma, o Papa seguiu de automóvel para o cemitério.
Aí deteve-se junto da sepultura de Yusuf, um bebé guineense de seis meses que morreu em 2020 a bordo do navio da organização não-governamental espanhola Open Arms, enquanto aguardava uma evacuação médica de emergência que apenas chegou seis horas depois de ter sido solicitada.
Posteriormente, o Papa deslocou-se ao monumento Porta da Europa, da autoria do escultor italiano Mimmo Paladino, que simboliza o desembarque e a esperança de quem foge da guerra e da miséria. No local, encontrou-se brevemente com uma família migrante para ouvir o seu testemunho de integração.
Leão XIV atravessou depois, sozinho, a escultura e desceu a pé até uma zona rochosa, aproximando-se o mais possível do mar. Enquanto permanecia sobre as rochas a contemplar o Mediterrâneo, uma forte rajada de vento levou-lhe o solidéu branco.
A visita prosseguiu no Cais Favaloro, onde Leão XIV benzeu uma placa que passa, a partir de hoje, a designar oficialmente o cais em homenagem ao Papa Francisco, em reconhecimento da ligação duradoura que o anterior pontífice estabeleceu com esta comunidade.
Na saudação às autoridades locais, o Papa afirmou que esta homenagem "é sinal do vínculo" que o seu antecessor estabeleceu com a comunidade local "e com os irmãos e irmãs migrantes".
"E o Papa [Francisco] esteve próximo de vós neste período tão exigente. Hoje estou aqui para vos dizer que o Papa continua a acompanhar-nos, apoia-vos e encoraja-vos", acrescentou.
Embora as chegadas às costas italianas tenham diminuído nos últimos anos, as mortes no Mediterrâneo continuam. Quase 2800 migrantes desembarcaram em Itália em junho, menos 10% do que no mês anterior.
Desde o início do ano chegaram ao país 14.388 pessoas, menos 30% do que no mesmo período de 2025. Destas, 56% desembarcaram em Lampedusa, segundo dados da Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).
No entanto, 1397 pessoas morreram ou desapareceram no Mediterrâneo durante o primeiro semestre de 2026, face às 851 registadas no mesmo período do ano anterior.
O Papa preside ainda a uma missa na ilha, com a imagem de Nossa Senhora de Porto Salvo no altar, último ato da visita antes do regresso ao Vaticano.
Inforpress/Lusa
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