Jornalista Eduíno Santos cruza guerra colonial, emigração e memória no romance “Noca, meu amor”

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Jornalista Eduíno Santos cruza guerra colonial, emigração e memória no romance “Noca, meu amor”
08/10/26 - 03:37 pm

Mindelo, 08 Out (Inforpress) – O jornalista Eduíno Santos lança hoje, no Mindelo, “Noca, meu amor – Entre Mindelo, Guileje e Lisboa”, obra que cruza ficção, memória e documento para acompanhar a trajectória de três amigos separados pela guerra, mar e emigração.

Em nota enviada à Inforpress, o autor explica que a obra se centra na trajectória de três amigos, Caluca, Naise e Nhela, que cresceram nos bairros populares do Mindelo, em São Vicente, na década de 1960, e cujas vidas se separam com o agravamento da guerra colonial. 

A narrativa desenvolve-se entre Mindelo, Santo Antão, Guiné-Bissau, Roterdão e Lisboa e atravessa o período que vai da memória familiar anterior à guerra colonial ao pós-independência.

Conforme o mesmo documento, Caluca parte para a luta armada na Guiné-Bissau, onde se torna artilheiro do Partido Africano para a Independência de Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

Naise, por sua vez, embarca como marinheiro em petroleiros e cargueiros, enquanto Nhela permanece na ilha, guardando cartas, memórias e uma profecia atribuída ao curandeiro Nhô Joaquim Esquinha, nas montanhas de Santo Antão.

“Enquanto a guerra avança e o mundo muda com o 25 de Abril e a independência, o romance constrói-se através de cartas enviadas clandestinamente, amores suspensos, silêncios prolongados e regressos adiados”, destaca o documento.

A história de Naise acompanha, por outro lado, a experiência da emigração, entre o mar, Roterdão e Lisboa, onde muitos cabo-verdianos procuram documentos, trabalho e uma ligação às suas origens. 

Nesse percurso surgem Noca e Djodja, duas mulheres cuja história de amor, abandono e resistência atravessa gerações.

“Sem transformar a história em cenário decorativo, Noca, meu amor aproxima os grandes acontecimentos das suas consequências humanas" referiu ainda a mesma nota, que lembra ainda que "a guerra chega à consciência de Caluca, a emigração chega ao corpo e à identidade de Naise, a espera instala-se na vida de Nhela"

Acontecimentos históricos, que observou, interferem nas suas vidas e atravessam gerações.

Eduíno Santos é jornalista cabo-verdiano, director do jornal online Notícias do Norte, sediado em São Vicente. Foi fundador do jornal Notícias, em 1987, delegado e jornalista na Rádio Televisão Cabo-Verdiana (RTC) e colaborador do Expresso das Ilhas e A Nação.

Em “Noca, meu amor”, o autor combina a sua experiência jornalística e o contacto com a memória política e social de Cabo Verde com uma narrativa de ficção centrada nas personagens, nas cartas, nas ausências e nos afectos.

A obra, segundo o autor, nasce da necessidade de preservar a memória de pessoas comuns e de compreender a forma como a história entra na vida privada e como as suas feridas atravessam gerações.

“Noca, meu amor” é apresentado como “uma carta do passado enviada para o futuro”, tendo como pano de fundo a guerra, a diáspora e a memória de uma geração cabo-verdiana.

CD/HF

Inforpress/Fim

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