
João Teves, 02 Set (Inforpress) – As instituições de São Lourenço dos Órgãos apelam à mobilização de todas as forças vivas para garantir dignidade e apoio a uma família da comunidade, de Órgãos Pequeno, cuja situação tem despertado preocupação no município.
A mãe, cinco crianças — quatro com deficiência — e a filha de nove anos que assume os cuidados da casa e dos irmãos, compõem um núcleo que tem sido alvo de várias intervenções, mas cuja necessidade de apoio contínuo permanece premente.
A vereadora responsável pela Área Social, Saúde e Género do município, Ilizita Fonseca, descreve o quadro como desafiador, explicando que a família já recebeu alimentos, assistência social e visitas de cuidadores, entre outras intervenções, mas a complexidade das necessidades exige uma resposta colectiva mais estruturada.
De acordo com Fonseca, o pai faleceu e a mãe enfrenta dificuldades que, por vezes, repercutem na gestão do lar e no bem-estar das crianças.
“Estamos a fazer o que está ao nosso alcance”, disse Fonseca, ressaltando a importância da união do município, famílias, instituições de saúde, educação e assistência social para que a residência receba intervenções necessárias e a criança de nove anos deixe de carregar responsabilidades que não lhe cabem.
A autarca relatou que a menina de nove anos, apesar de não possuir deficiência, desempenha funções que comprometem o seu direito à educação e à infância, enfatizando que tem uma cuidadora, das que foram designadas pelo Ministério da Família, que tem cuidado desta família.
A cuidadora, Leila Gonçalves, destaca o impacto do acompanhamento regular, mas admite que o esforço actual é “insuficiente” para cobrir todas as necessidades — saúde, higiene, alimentação, transporte para consultas e educação inclusiva.
Esta, descreve a missão como “desafio grande” que, no entanto, é realizada com empenho, apontando a necessidade de apoio diário, 24 horas, para assegurar que as crianças recebam atenção adequada e que a residência proporcione um ambiente seguro e digno.
Diante desta situação, a imprensa também contactou o delegado do Ministério da Educação de São Lourenço dos Órgãos, Jairson Delgado, que enfatizou, igualmente, que a situação requer uma resposta integrada de várias entidades, incluindo uma equipa multidisciplinar que já acompanha o caso.
Neste sentido, avançou que a aposta pode passar pela disponibilização de uma cuidadora ou de cuidadoras a tempo inteiro, para garantir junto das outras instituições uma intervenção coordenada que inclui deslocação, aquisição de medicamentos e recursos educacionais, garantindo que as crianças permaneçam no sistema escolar e tenham oportunidades de inclusão social, além daquilo que tem sido feito.
Além dessas instituições, a presidente da Fundação SimaJúlia já tinha manifestado a sua preocupação com a situação desta família, apelando também à união de todos para resolver da melhor forma o caso.
As autoridades locais reiteram o apelo à “mão amiga” das instituições para que as acções não se limitem a intervenções pontuais, mas se tornem uma rede de apoio estável que permita à família viver com dignidade e às crianças ter o direito à educação, saúde e lazer.
Enquanto a rede de assistência monta estratégias, a família permanece no centro do debate público, símbolo da necessidade de políticas públicas mais eficazes e de uma cooperação interinstitucional que possa transformar a realidade desta família de Órgãos Pequeno.
A comunidade aguarda acções concretas que garantam protecção, acompanhamento contínuo e inclusão para todas as crianças.
MC/ZS
Inforpress/Fim
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