
Cidade da Praia, 19 Out (Inforpress) – O INSP recomendou hoje, por precaução, que a população evite banhos em barragens, tanques e ribeiras enquanto decorrem os estudos sobre a presença da doença esquistossomose nos municípios de Santiago onde a vigilância ainda não foi realizada.
Em declarações à Inforpress, a presidente do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), Sandra Brito, explicou que a vigilância malacológica ainda não foi alargada a todos os municípios da ilha de Santiago, pelo que não é possível confirmar a presença ou ausência do hospedeiro intermediário do parasita nas localidades ainda não abrangidas pela investigação.
“Não podemos afirmar que não tínhamos nos outros concelhos. A vigilância malacológica há de chegar aos outros concelhos”, afirmou a responsável, acrescentando que a instituição pretende alargar o trabalho de investigação o mais brevemente possível.
A preocupação surge numa altura em que as chuvas registadas neste mês contribuíram para a acumulação de água em cachoeiras, barragens, tanques e ribeiras.
A situação tem levado moradores de municípios como Santa Catarina, São Salvador do Mundo, São Lourenço dos Órgãos e Santa Cruz a questionarem-se sobre a segurança dos banhos nestes locais, uma vez que ainda não foram realizados estudos para avaliar a presença da doença nas águas.
Segundo Sandra Brito, a identificação da doença no município São Miguel, particularmente na zona de Ribeira de Principal, e a existência de casos em Santa Catarina reforçam a necessidade de aprofundar a investigação para conhecer a distribuição do parasita e do seu hospedeiro intermediário na ilha.
A presidente do INSP apelou à população para que continue a cumprir as orientações do Ministério da Saúde, evitando, por precaução, o contacto com águas paradas ou estagnadas em barragens, tanques e ribeiras.
A responsável explicou que os cursos de água em movimento apresentam, em princípio, condições menos favoráveis à presença do caracol transmissor, mas disse que as recomendações sanitárias devem ser observadas enquanto decorrem os estudos.
Segundo explicou, a expansão da vigilância aos restantes municípios deverá permitir às autoridades sanitárias obter informações mais abrangentes sobre a distribuição do caracol transmissor e reforçar as medidas de prevenção e controlo da esquistossomose em Cabo Verde.
Sandra Brito salientou que o diagnóstico da esquistossomose foi estabelecido pela primeira vez em Cabo Verde em 2022, esclarecendo que essa data corresponde à identificação da doença no país e não significa necessariamente que a infecção não existisse anteriormente.
A esquistossomose é uma doença parasitária causada pelo Schistosoma haematobium, transmitida através do contacto com água doce contaminada, podendo provocar lesões no sistema urinário quando não é diagnosticada e tratada atempadamente.
O total acumulado desde a identificação da doença no país atingiu 182 casos, concentrados maioritariamente na zona de Ribeira Principal, no município de São Miguel.
DG/HF
Inforpress/Fim
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