
Espargos, 26 Jun (Inforpress) – Os moradores de Santa Maria, no Sal, manifestaram-se hoje indignados e abandonados face ao encerramento do Centro de Saúde local às 20:00, após um bebé de um mês ter estado quase a falecer à porta da instituição.
Em declarações aos jornalistas, Rosianne Cruz, mãe da criança, relatou o sufoco e o pânico vividos na noite da última quarta-feira, quando se deparou com a estrutura de saúde trancada num momento crítico.
"A minha bebé engasgou quando eu estava a amamentá-la. Tentei prestar-lhe os primeiros socorros em casa, mas naquele momento estava tão nervosa que não consegui e logo saí para o centro de Saúde, mas deparei com a porta fechada. Isso tem de mudar, porque são vidas", desabafou a mãe, visivelmente abalada, acrescentando que, no meio do nervosismo, foi obrigada a deslocar-se aos Espargos na tentativa de salvar a filha.
A progenitora lançou um apelo ao Ministério da Saúde para que intervenha com carácter de urgência máxima.
A revolta é partilhada por outros residentes.
Vladimir Boaventura, outro utente abordado, relembrou que já passou pela mesma situação após um acidente de trabalho e solidarizou-se com a dor daquela família.
O munícipe apontou o dedo à falta de resposta perante o crescimento da cidade e acusou as autoridades de falta de palavra.
"O ex-ministro da Saúde, Jorge Figueiredo, esteve aqui de visita a Santa Maria, viu o problema e prometeu que ia mudar o sistema para 24 horas. Mas saiu o Governo e não houve mudança nenhuma", denunciou, sublinhando que "a saúde não tem hora" e que a população paga os seus impostos para ter direito a assistência.
O mesmo utente chamou a atenção para o contraste entre a riqueza gerada pelo turismo na cidade e a precariedade dos serviços básicos de saúde fornecidos aos cidadãos e aos visitantes.
"Como é possível? Entram cerca de um milhão de turistas em Cabo Verde e creio que 80 por cento (%) estão em Santa Maria. Pagam as taxas no aeroporto, entra muito dinheiro. Esse dinheiro devia beneficiar Santa Maria, principalmente na saúde. Saúde é tudo na vida do pessoal. Trabalhar com um centro de saúde de portas fechadas é uma miséria", criticou.
Os moradores advertem que a situação é insustentável e exigem que o posto de saúde passe a funcionar em regime de 24 horas antes que ocorra uma tragédia irreparável.
"Não se pode esperar que alguém morra para tomar medidas. É preciso agir antes", concluíram os entrevistados.
A Inforpress continua a envidar esforços para obter uma reacção da Delegacia de Saúde do Sal, enquanto entidade responsável pela gestão das estruturas sanitárias na ilha, de forma a esclarecer as reclamações dos utentes e as directrizes sobre o horário de funcionamento daquela estrutura.
NA/HF
Inforpress/Fim
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