Ilha do Sal: Novos protocolos de iluminação reforçam protecção de tartarugas marinhas em zonas de nidificação

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Ilha do Sal: Novos protocolos de iluminação reforçam protecção de tartarugas marinhas em zonas de nidificação
04/05/26 - 01:55 pm

Espargos, 04 Mai (Inforpress) – A ilha do Sal está a implementar novos protocolos de iluminação em hotéis e empreendimentos para mitigar o impacto da poluição luminosa na sobrevivência da espécie caretta caretta, espécie que registou um recorde histórico de nidificação na ilha.

A medida surge num momento de crescimento turístico acentuado, em que a luz artificial se tornou uma das principais ameaças à biodiversidade local.

Cabo Verde detém actualmente cerca de 15 por cento (%) dos ninhos de tartaruga cabeçuda a nível mundial, tendo a ilha do Sal contabilizado, em 2024, mais de 36.500 ninhos.

No entanto, a particularidade do Sal, onde todas as praias são locais de desova, mesmo em zonas de resorts de luxo - tem gerado uma "tensão constante" entre o desenvolvimento turístico e a biodiversidade

Um estudo científico publicado em Fevereiro de 2025, na revista Regional Environmental Change, confirmou que o Sal apresenta a maior sobreposição entre áreas vulneráveis à luz artificial e zonas de alta densidade de ninhos.

A poluição luminosa artificial é apontada como um factor crítico que desorienta fêmeas e crias, afastando-as do oceano e reduzindo drasticamente as suas hipóteses de sobrevivência.

Para inverter este cenário, a associação Projecto Biodiversidade tem reforçado parcerias com o sector privado, nomeadamente com o grupo hoteleiro RIU, para a realização de estudos de impacto e a relocalização de ninhos em risco para incubadoras protegidas.

Apesar dos números recorde de ninhos, um novo estudo científico publicado em Fevereiro de 2026, baseado em 17 anos de monitorização (2008-2024), revela “dados preocupantes” sobre a saúde da população.

Embora cheguem mais tartarugas às praias, os investigadores notaram que as fêmeas estão a chegar mais cedo à costa, põem menos ovos e demoram até o dobro do tempo a regressar entre temporadas.

Kirsten Fairweather, coordenadora científica da Associação Projeto Biodiversidade, sintetiza a situação como um paradoxo: “as tartarugas estão a trabalhar mais para um retorno menor”, indicando que o sucesso quantitativo dos ninhos pode “mascarar” um desgaste biológico da espécie provocado pela pressão humana e ambiental.

Com os novos protocolos de iluminação, as autoridades e as organizações não-governamentais (ONG) esperam garantir que a ilha do Sal mantenha o estatuto de santuário seguro para a tartaruga cabeçuda, promovendo um modelo de turismo sustentável e responsável.

NA/CP

Inforpress/Fim

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