
Santa Maria, 04 Fev (Inforpress) – A representante da Direcção-Geral da Saúde de Portugal afirmou hoje, no Sal, que a qualidade em Saúde se construi com práticas seguras, envolvimento dos profissionais e utentes e uma cultura focada na melhoria contínua, independentemente do financiamento.
Carla Pereira falava aos jornalistas no segundo dia do primeiro Encontro Nacional da Saúde, que decorre até quinta-feira, 05, na ilha do Sal, após moderar a conferência intitulada “Qualidade em Saúde: Princípios e Conceitos Fundamentais”, integrada na agenda do evento.
Segundo a especialista, os debates demonstraram que “os ganhos em Saúde e a qualidade constroem-se” e não estão, fundamentalmente, dependentes da questão financeira.
“Não existe qualidade se não houver segurança dos cuidados”, sublinhou, apontando este aspecto como um dos pilares centrais de qualquer sistema de saúde.
A responsável explicou que a construção de um sistema nacional de qualidade pode seguir diferentes abordagens, desde a definição de uma política nacional de qualidade, que depois se traduza em acções concretas no terreno, até um modelo em que os próprios profissionais assumem a segurança e a qualidade na prestação dos cuidados.
“Hoje, ao longo do dia, foram abordados vários temas ligados à segurança dos cuidados, como a humanização, o controlo de infecções, o foco nos resultados e ganhos em saúde reconhecidos pelo utente, o envolvimento do utente nas decisões e a comunicação entre profissionais e entre níveis de cuidados”, referiu.
Para Carla Pereira, estas são medidas que podem ser implementadas ao nível operacional e que, com a devida reflexão sobre a sua aplicação, podem evoluir para uma política nacional de qualidade.
“Os dois caminhos podem e devem ser feitos em simultâneo. É preciso um movimento nestas duas direcções”, defendeu.
A representante da Direcção-Geral da Saúde de Portugal destacou ainda a importância da monitorização das medidas adoptadas.
“Só há qualidade quando desenhamos uma medida, a implementamos e depois a monitorizamos para perceber se está a resultar. Se não estiver, temos de perceber porquê e melhorar e, se estiver, talvez tenhamos de ser mais ambiciosos”, afirmou.
Nesse contexto, apontou como “essencial” a criação de uma cultura de notificação de incidentes, para compreender o que corre mal e implementar acções de melhoria.
“Os incidentes acontecem, é normal. O importante é percebê-los e agir para melhorar”, frisou.
Entre os pilares-chave da qualidade em saúde, Carla Pereira enumerou a adopção de práticas seguras, a recolha e análise de notificações de incidentes, a comunicação eficaz entre profissionais, o envolvimento do utente na tomada de decisão e a integração destes princípios na cultura das organizações de Saúde.
“O grande desafio é traduzir todos estes ingredientes na cultura das organizações, sejam hospitais ou unidades de saúde, e integrá-los numa política nacional, para que esta prática seja transversal a todo o país”, concluiu.
O primeiro Encontro Nacional da Saúde aborda temas como as perspectivas e desafios do Sistema de Saúde, a gestão e organização dos serviços, as doenças crónicas não transmissíveis, com destaque para a diabetes, hipertensão, cancro e saúde mental, a qualidade em saúde, bem como a inovação e tecnologia no sector.
NA/HF
Inforpress/Fim
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